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Conta de luz mais cara: Congresso derruba vetos e impõe custo de R$ 197 bilhões por 25 anos

O reajuste na conta de luz acontece após decisão do Congresso Nacional na última segunda-feira, 16 de junho.

Fernanda Diniz

19 de junho de 2025 às 15:50   - Atualizado às 15:57

Conta de energia

Conta de energia Foto: Neoenergia/Divulgação

O brasileiro deve preparar o bolso. A conta de luz vai subir após o Congresso Nacional derrubar, na última segunda-feira, 16 de junho, vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relacionados à Lei das Eólicas Offshore.

A decisão pode gerar um custo estimado de R$ 197 bilhões aos consumidores nos próximos 25 anos. No curto prazo, o reajuste previsto na tarifa é de 3,5%.

O aumento afeta diretamente famílias de baixa renda e deve pressionar a inflação. Especialistas apontam que a alta nas tarifas pode anular a expectativa de queda no preço da energia, elevando em até 9% os custos para consumidores residenciais de baixa renda, além de impactar setores comerciais e industriais.

O impacto ocorre, principalmente, após o Congresso derrubar os vetos de Lula sobre a prorrogação dos contratos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Na prática, isso mantém contratos mais caros, que deveriam ser encerrados, e transfere esse custo para as contas de luz.

Além disso, foram rejeitados outros vetos que tratavam da contratação de capacidade de hidrelétricas, da compra de energia associada à produção de hidrogênio líquido e de eólicas, além do adiamento de contratações e compensações de montantes previstos para o setor elétrico.

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Boa parte desses dispositivos são considerados “jabutis”, trechos estranhos ao tema principal da lei, inseridos durante a tramitação no Congresso.

Esses itens, segundo analistas do setor elétrico, não possuem relação direta com a regulamentação das eólicas offshore e acabam gerando distorções e custos extras para os consumidores.

Veto do vírus zika derrubado 

O Congresso Nacional derrubou o veto presidencial ao Projeto de Lei 6064/23, que concede indenização por dano moral de R$ 50 mil às pessoas com deficiência permanente decorrente de microcefalia associada a infecção pelo vírus Zika.

Com a decisão dos deputados e senadores, as vítimas do vírus também poderão pleitear pensão especial mensal, vitalícia e isenta de Imposto de Renda, no valor do teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), hoje de R$ 8.157,41.

Além disso, o texto retomado pelo Congresso aumenta em 60 dias o direito à licença-maternidade e ao salário-maternidade das mães, inclusive as adotivas, de crianças nessas condições.

Já o direito à licença-paternidade é ampliado em 20 dias.

A proposta teve origem em uma iniciativa da ex-deputada e atual senadora Mara Gabrilli (PSD-SP). A versão aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado passou por modificações sugeridas por parlamentares nas duas Casas.

Gabrilli lembrou que a proposta havia sido aprovada por unanimidade tanto na Câmara como no Senado.

"Hoje vamos reparar o erro do governo. Ter esse recurso mensal até quando as mães não estejam mais aqui é fundamental", disse a a senadora, lembrando dos custos com fraldas, remédios e cadeiras apropriadas.

Ao justificar o veto, em janeiro, a Presidência da República alegou, entre outros pontos, que o projeto cria despesa obrigatória de caráter continuado e benefício tributário sem apresentar a estimativa de impacto orçamentário e financeiro.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou, no entanto, que o governo se comprometeu a conversar com o Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o pagamento.

Agora, com a derrubada do veto, o PL 6064/23 será encaminhado pelo Congresso à promulgação pelo presidente da República, que terá, para isso, um prazo de até 48 horas após o recebimento.

Em caso de omissão dele, a promulgação caberá ao presidente ou ao vice-presidente do Senado, dentro de igual prazo.

Mobilização das mães

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), elogiou a capacidade do governo de concordar com a derrubada do veto, e citou o esforço das mães de crianças com microcefalia.

"Foi graças à força dessas mães que se mobilizaram e mostraram que a luta pela inclusão não é uma luta de direita e esquerda, mas de cidadania", afirmou.

A líder do Psol, deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), reforçou a importância da atuação das famílias atípicas para garantir a derrubada do veto. "A derrubada deste veto é fruto da mobilização de vocês, da pressão, da luta, do amor de vocês por seus filhos e suas famílias. Que todas as famílias atípicas possam ter direitos para fazer com que seus filhos possam ser incluídos nesta sociedade ainda capacitista", afirmou.

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