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Carlos Bolsonaro reage com ironia ao indiciamento na investigação da Abin Paralela: "PF do Lula"

O caso investiga uso indevido da estrutura da agência para monitorar autoridades públicas e outras pessoas, sem autorização judicial.

Isabella Lopes

17 de junho de 2025 às 16:09   - Atualizado às 16:09

Carlos Bolsonaro.

Carlos Bolsonaro. Foto: Caio César/CMRJ

A Polícia Federal indiciou o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que apura um suposto esquema de espionagem ilegal dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O caso ficou conhecido como “Abin Paralela” e investiga o uso indevido da estrutura da agência para monitorar autoridades públicas e outras pessoas, sem autorização judicial.

Carlos usou as redes sociais para se manifestar sobre o indiciamento. Em uma publicação no X (antigo Twitter), o vereador escreveu: “Alguém tinha alguma dúvida que a PF do Lula faria isso comigo? Justificativa? Creio que os senhores já sabem: eleições em 2026? Acho que não! É só coincidência”.

Além de Carlos, a PF indiciou outras 34 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi diretor-geral da Abin durante o governo anterior. O relatório final da investigação foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a Polícia Federal, os envolvidos teriam formado uma organização com o objetivo de monitorar ilegalmente a localização de diversas pessoas. A investigação identificou que ferramentas de geolocalização foram usadas sem autorização judicial e que o sistema funcionava com apoio de servidores e funcionários da própria Abin.

Entre os nomes citados como alvos do monitoramento estão o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

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O inquérito aponta que as ações ocorreram durante a gestão anterior e foram coordenadas de forma paralela, fora dos canais oficiais da inteligência pública. As informações obtidas eram usadas para acompanhar deslocamentos e atividades dos alvos, segundo a PF.

O deputado Alexandre Ramagem, também indiciado, declarou em entrevistas que nega irregularidades e que a apuração tem motivações políticas. A defesa de Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou oficialmente.

A Polícia Federal incluiu no relatório indícios dos crimes de organização criminosa, abuso de autoridade e uso indevido de dados sigilosos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai analisar o material e decidir se apresenta denúncia formal contra os envolvidos.

A Abin, até o momento, não emitiu nota oficial sobre o caso. O governo federal afirmou que acompanha os desdobramentos e que as investigações seguem de forma independente.

O caso levanta discussões sobre o uso de órgãos públicos para fins que fogem das funções legais. Com o avanço do inquérito, novos desdobramentos podem surgir nos próximos meses, incluindo eventuais medidas do STF ou da PGR.

A investigação também acontece em um contexto de debates políticos intensos, com a aproximação das eleições municipais e o início das articulações para a disputa presidencial de 2026.

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