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Clarissa Tércio comemora nova regra da CBV que bane a participação de atletas trans no vôlei feminino

Nas redes sociais, a parlamentar declarou: "a ciência prevalece sobre a ideologia".

Romildo Lacerda

15 de agosto de 2026 às 14:28   - Atualizado às 14:29

Deputada Clarissa Tércio e atleta trans, Tifanny Abreu

Deputada Clarissa Tércio e atleta trans, Tifanny Abreu Foto: Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados/Reprodução

A deputada federal Clarissa Tércio comemorou a decisão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) de adotar, nas competições nacionais, os critérios de elegibilidade da categoria feminina estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

A medida foi anunciada na sexta-feira, 14 de agosto, e terá impacto a partir da temporada 2026/2027 da Superliga.

Nas redes sociais, a parlamentar declarou: “a ciência prevalece sobre a ideologia”. Em outra publicação, acrescentou: “Defender a categoria feminina é garantir justiça, equilíbrio e respeito às mulheres no esporte”.

CBV adota critérios do COI

A nova regulamentação determina que atletas que pretendam disputar a categoria feminina nas competições abrangidas pela política deverão passar por triagem genética para verificar a presença do gene SRY, sigla em inglês para 'Sex-determining Region Y'. O gene está relacionado ao desenvolvimento das características sexuais masculinas.

Segundo a CBV, a entidade passa a seguir os parâmetros da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, publicada em março deste ano. A política estabelece a elegibilidade da categoria feminina com base no sexo biológico, com verificação por meio da testagem e triagem do gene SRY.

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A CBV passa a seguir - a partir de hoje - os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI - publicada em março deste ano - que limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino. Essa verificação é feita por testagem e triagem do gene SRY - tendo como ressalvas apenas condições excepcionais previstas na política da entidade”, diz trecho da nota.

Regra alcança principais competições nacionais

A mudança será aplicada a partir da Superliga A e B, temporada 2026/2027, além da Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e CBVP Challenger 2027.

A CBV informou que a recusa em realizar a triagem não será considerada uma infração disciplinar. No entanto, a atleta que não comprovar sua elegibilidade não poderá participar das competições abrangidas pela nova regulamentação.

A política também prevê exceções para casos específicos. Entre elas estão situações em que uma atleta apresente, após avaliação especializada, alguma condição rara, como distúrbios do desenvolvimento sexual, capaz de provocar efeitos anabólicos e alterações no desempenho relacionadas à testosterona.

A CBV disponibilizará ou facilitará, quando razoavelmente possível, o acesso a orientação médica independente, apoio psicológico e medidas de salvaguarda, especialmente quando o resultado revelar condição anteriormente desconhecida”, afirma outro trecho da política adotada.

Mudança pode afetar Tifanny Abreu

A nova regra coloca em discussão a continuidade de Tifanny Abreu, atleta trans e oposta do Osasco, na próxima edição da Superliga. Primeira atleta transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro, Tifanny está treinando com a equipe paulista para a estreia no Campeonato Paulista neste sábado (15), contra o Pinheiros.

O torneio estadual, porém, não está entre as competições afetadas pela decisão da CBV neste momento. A situação para a próxima Superliga dependerá da aplicação dos novos critérios de elegibilidade.

Em nota, o Osasco afirmou ter recebido a decisão com surpresa. O departamento jurídico do clube analisa a nova normativa para definir “os próximos passos”. A equipe também informou que não participou da elaboração da política nem foi consultada pela CBV antes do anúncio.

Osasco manifesta apoio à atleta

O clube destacou que a mudança afeta diretamente Tifanny, que defende a equipe desde 2021 e construiu uma trajetória de destaque no esporte.

A decisão impacta diretamente a atleta Tifanny Abreu, que veste a camisa do clube desde 2021 e construiu uma trajetória marcante dentro e fora de quadra. (...) O clube reafirma seu integral apoio a Tifanny neste momento e reforça seu compromisso permanente com o respeito e a valorização de todas as pessoas que fazem parte da sua história”, finaliza a nota.

Histórico da regulamentação

A CBV foi, em 2017, uma das primeiras entidades esportivas brasileiras a estabelecer regras específicas para a participação de atletas transgêneros, com critérios técnicos e médicos.

O cenário começou a mudar em setembro de 2025, quando a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) aprovou a obrigatoriedade da triagem do gene SRY. Em março de 2026, o COI publicou sua nova política para a categoria feminina, que passou a ser considerada por diferentes entidades esportivas.

De acordo com o médico João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da CBV, a confederação está alinhada às diretrizes internacionais.

A CBV se alinhou aos posicionamentos do COI e da FIVB quanto a necessidade das jogadoras realizarem o processo de triagem do gene SRY para a elegibilidade da categoria feminina. A coleta de material é feita de forma pouco intrusiva e altamente precisa”, explicou.
 

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