Zanin nega pedido de Renato Cariani para suspender ação penal sobre tráfico de drogas. Foto 1: Lula Marques/Agência Brasil; Foto 2: Divulgação
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu na segunda-feira, 10 de novembro, negar o pedido da defesa do influenciador fitness Renato Cariani para suspender a ação penal que o acusa de envolvimento em tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.
Os advogados de Cariani haviam recorrido ao STF após uma decisão desfavorável do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A defesa alegava que, por envolver investigação da Polícia Federal (PF), o caso deveria tramitar na Justiça Federal, e não na esfera estadual.
No entanto, Zanin rejeitou o argumento e destacou que a participação da PF em apurações não determina automaticamente a competência federal. O ministro ressaltou que, conforme a jurisprudência do Supremo, os crimes apontados na denúncia (tráfico e lavagem de dinheiro) são de competência da Justiça Estadual.
“O eventual debate sobre a classificação jurídica dos fatos, ou mesmo sobre a competência jurisdicional, poderá ser analisado oportunamente pelo juízo processante”, afirmou o ministro em sua decisão.
Zanin também destacou que o habeas corpus não é o instrumento adequado para reavaliar provas ou antecipar julgamentos sobre a tipificação das condutas.
Com a decisão, o processo continua em curso na Justiça de São Paulo. Renato Cariani se tornou réu após o Ministério Público Estadual (MPE-SP) apresentar denúncia baseada nas investigações da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023.
As investigações indicam que a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, da qual Cariani é sócio, teria fornecido insumos químicos desviados para o tráfico de drogas. Segundo a PF e o Ministério Público, substâncias controladas pela Polícia Federal, utilizadas na fabricação de drogas sintéticas e cocaína, eram vendidas de forma irregular e destinadas a laboratórios clandestinos.
De acordo com as apurações, a Anidrol usava um esquema de emissão de notas fiscais fraudulentas para mascarar a origem e o destino dos produtos. As operações ilícitas, segundo o MPE, também teriam sido usadas para lavagem de dinheiro por meio de transações simuladas.
O Ministério Público de São Paulo afirma que as provas reunidas durante a Operação Hinsberg são robustas e demonstram o uso de estruturas empresariais para acobertar o desvio de produtos químicos. O processo segue em andamento, e o influenciador responde às acusações em liberdade.
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