A discussão ocorreu entre Benny Briolly (PSOL) e a vereadora Fernanda Loubac (PL), que se posicionou contra a concessão do título de cidadã niteroiense à artista.
Vereadoras do Psol e do PL batem boca sobre homenagem a funkeira Ludmilla: 'É crime ser branco' Foto: Sérgio Gomes/Câmara de Niterói
O tempo fechou na Câmara Municipal de Niterói durante a votação do título de cidadã niteroiense para a cantora Ludmilla. A sessão foi marcada por um bate-boca entre vereadoras e terminou em clima de forte tensão no plenário.
A proposta de homenagem foi apresentada pela vereadora Benny Briolly, do PSOL, e acabou sendo aprovada por 8 votos a 6. Apesar da aprovação, o debate que antecedeu a votação gerou troca de acusações e discursos polêmicos entre parlamentares.
A principal discussão ocorreu entre Benny Briolly e a vereadora Fernanda Louback, do PL, que se posicionou contra a concessão do título de cidadã niteroiense à artista.
Durante sua fala na tribuna, Louback afirmou que considera exageradas algumas críticas feitas a pessoas brancas no debate público atual.
“Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco. Vocês me desculpem por ter nascido”, declarou a vereadora, provocando reações imediatas de outros parlamentares.
A declaração aumentou a tensão na sessão e provocou manifestações de reprovação dentro do plenário.
O clima ficou ainda mais pesado quando a discussão passou a envolver críticas pessoais entre as duas vereadoras. Durante o debate, Louback fez referência à aparência de Benny Briolly, comentando sobre a cor de seu cabelo.
A fala gerou indignação entre alguns vereadores e intensificou o confronto verbal. As duas parlamentares passaram a discutir de forma mais dura diante dos colegas.
Com os ânimos exaltados, outros vereadores e assessores precisaram intervir para tentar conter a situação. Segundo relatos da sessão, houve preocupação de que a discussão pudesse evoluir para um confronto físico.
Diante do clima de tensão, a sessão foi encerrada antes da conclusão de todos os debates previstos.
A votação do título de cidadã niteroiense para Ludmilla ocorreu semanas depois de outra polêmica envolvendo a cantora na cidade.
Parlamentares do PL haviam criticado a apresentação da artista no show de Réveillon realizado na Praia de Icaraí, em Niterói. Um dos pontos questionados foi a execução da música Verdinha, lançada em 2019.
Para os críticos, a canção poderia fazer referência ao consumo de drogas, o que gerou questionamentos sobre a adequação da apresentação em um evento público.
A discussão também foi associada à Lei Municipal nº 4.097/2025, conhecida informalmente como “Lei Anti-Oruam”. A norma proíbe o uso de recursos públicos para contratar ou divulgar espetáculos destinados a crianças e adolescentes que façam apologia ao crime ou às drogas.
A autora da proposta é a vereadora Fernanda Louback, que voltou a mencionar o tema durante a votação do projeto de homenagem.
Ao defender a proposta, Benny Briolly afirmou que o reconhecimento à cantora vai além da música. Segundo ela, Ludmilla construiu uma trajetória de destaque nacional e internacional e representa inspiração para muitos jovens. A vereadora argumentou que conceder o título de cidadã niteroiense é uma forma de reconhecer o impacto cultural da artista e sua contribuição para a música brasileira.
Apesar da confusão e do clima tenso na sessão, o projeto foi aprovado por maioria simples na Câmara Municipal. Com a decisão, Ludmilla receberá oficialmente o título de cidadã niteroiense em uma cerimônia que ainda terá data definida.
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