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Barroso defende atuação do STF após críticas de revista inglesa: 'narrativa do golpe'

O ministro detalhou as medidas que foram questionadas pelo The Economist, como os julgamentos sobre a tentativa de golpe, a suspensão do X (antigo Twitter) e outros.

Ricardo Lélis

20 de abril de 2025 às 09:56   - Atualizado às 09:56

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso.

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso. Foto: Carlos Moura/ SCO/ STF

O presidente do Superior Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, publicou no sábado, 19 de abril, uma nota no site da Corte para rebater as críticas da revista inglesa The Economist.

O magistrado detalhou as medidas que foram questionadas em publicações na última semana, como os julgamentos sobre a tentativa de golpe, a suspensão do X (antigo Twitter) e outros.

Barroso então concluiu que a matéria da revista seria mais uma narrativa das pessoas que teriam tentado aplicar um golpe de estado no Brasil.

Confira a nota:

Acerca da matéria “Brazil’s Supreme Court is on trial”, venho esclarecer alguns pontos. A reportagem narra algumas das ameaças sofridas pela democracia no Brasil, embora não todas. Entre elas se incluem a invasão da sede dos três Poderes da República por uma multidão insuflada por extremistas; acampamentos de milhares de pessoas em portas de quartéis pedindo a deposição do presidente eleito; tentativa de atentado terrorista a bomba no aeroporto de Brasília; e tentativa de explosão de uma bomba no Supremo Tribunal Federal. E, claro, uma alegada tentativa de golpe, com plano de assassinato do presidente, do vice-presidente e de um ministro do tribunal. Os responsáveis estão sendo processados criminalmente, com o devido processo legal, como reconhece a matéria. Foi necessário um tribunal independente e atuante para evitar o colapso das instituições, como ocorreu em vários países do mundo, do leste Europeu à América Latina.

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A pesquisa DataFolha mais recente revela que, somados os que confiam muito (24%) e os que confiam um pouco (35%) no STF, a maioria confia no Tribunal. Não existe uma crise de confiança. As chamadas decisões individuais ou “monocráticas” foram posteriormente ratificadas pelos demais juízes. O X (ex-Twitter) foi suspenso do Brasil por haver retirado os seus representantes legais do país, e não em razão de qualquer conteúdo publicado. E assim que voltou a ter representante, foi restabelecido. Todas as decisões de remoção de conteúdo foram devidamente motivadas e envolviam crime, instigação à prática de crime ou preparação de golpe de Estado. O presidente do Tribunal nunca disse que a corte “defeated Bolsonaro”. Foram os eleitores.

Um outro ponto: a regra de procedimento penal em vigor no Tribunal é a de que ações penais contra altas autoridades seja julgada por uma das duas turmas do tribunal, e não pelo plenário. Mudar isso é que seria excepcional. Quase todos os ministros do tribunal já foram ofendidos pelo ex-presidente. Se a suposta animosidade em relação a ele pudesse ser um critério de suspeição, bastaria o réu atacar o tribunal para não poder ser julgado. O ministro Alexandre de Moraes cumpre com empenho e coragem o seu papel, com o apoio do tribunal, e não individualmente.

O enfoque dado na matéria corresponde mais à narrativa dos que tentaram o golpe de Estado do que ao fato real de que o Brasil vive uma democracia plena, com Estado de direito, freios e contrapesos e respeito aos direitos fundamentais.

Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil

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