Há cerca de quatro meses, oficiais de Justiça tentam entregar a intimação referente à denúncia apresentada pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Silvio Almeida segue sem ser localizado há 4 meses para receber intimação por importunação sexual Foto: Reprodução / Agência Brasil
A Justiça brasileira segue sem conseguir localizar o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida. Há cerca de quatro meses, oficiais de Justiça tentam entregar a intimação referente à denúncia por importunação sexual apresentada pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, mas a localização continua infrutífera. Sem essa citação oficial, o processo permanece travado no Supremo Tribunal Federal (STF), impedindo que o réu apresente sua defesa formal.
O caso veio à tona em 2024 e resultou na demissão imediata de Almeida do cargo ministerial. Desde então, o ex-ministro nega todas as acusações de assédio e alega ser alvo de difamação. Diante da repercussão recente de que estaria "invisível" para as autoridades, ele recorreu às redes sociais para rebater o sumiço burocrático e classificou as notícias como desinformação:
"Só não me encontra quem não quer me encontrar"
Defendendo-se das tentativas frustradas de localização, Almeida argumenta que seu local de trabalho se mantém inalterado há dez anos e que seu endereço está devidamente atualizado na Receita Federal. Ele afirma aguardar o julgamento para comprovar sua inocência perante a corte.
Em abril, após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-ministro publicou um vídeo no Instagram reafirmando sua postura.
"Eu sou um homem inocente. Fiquei em silêncio até aqui por responsabilidade, por respeito à dor da minha família, por respeito à lei, uma vez que a investigação corre em sigilo."
Almeida também criticou a forma como foi afastado da vida pública, classificando a demissão como um ato violento ocorrido em vinte e quatro horas e sem direito à ampla defesa. Segundo ele, o inquérito policial limitou sua capacidade de contestação prévia.
As acusações contra Silvio Almeida ganharam visibilidade em setembro de 2024, após denúncias de assédio virem à tona por meio da organização Me Too Brasil. Anielle Franco relatou ter sofrido condutas impróprias, como toques e convites inoportunos, silenciando na época por receio de repercussões negativas. A professora Isabel Rodrigues também figura entre as citadas nos inquéritos.
O caso segue sob sigilo no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça. No início de 2025, o ex-ministro prestou depoimento à Polícia Federal por mais de duas horas. Além da esfera penal, a conduta é investigada administrativamente pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
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