Leandra Guede e deputado federal André Janones. Foto: Reprodução/Redes Sociais
A Prefeitura de Ituiutaba, no interior de Minas Gerais, administrada por Leandra Guedes (Avante), ex-assessora e ex-companheira do deputado federal André Janones, está sendo acusada por ex-funcionários de praticar rachadinha, com devolução forçada de salários, além de firmar contratos suspeitos e nomear familiares em cargos de confiança. As informações são do R7
Segundo relatos, servidores eram coagidos a devolver até metade do salário recebido, e envolvem as secretarias de Desenvolvimento Social, Agricultura, Educação e Turismo.
A ex-secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Priscilla Barro, formalizou denúncia no Ministério Público de Minas Gerais. Priscilla afirmou que, ao assumir cargos na prefeitura entre 2022 e 2024, parte de seus salários era desviada.
"Eu não tinha condições financeiras. Eu tinha me mudado, estava sozinha, não tinha como voltar atrás. Estava tudo armado", relatou.
Priscilla disse ainda que entregava o dinheiro diretamente à então procuradora-geral do município, Anna Neves de Oliveira.
"Eu entregava em mãos para a Anna, e ela falava: 'Agora não tem como você voltar atrás, porque se você denunciar, você também estará participando.'"
De acordo com a ex-secretária, ao ocupar cargos de maior remuneração, os valores exigidos também aumentavam.
"Tive que ouvir, muitas vezes, que eu deveria ser grata porque ainda devolvia pouco, que só entregava R$ 3.000. Tem gente que repassava muito mais e ganhava muito menos do que eu", afirmou.
Ela completou dizendo que o esquema não se restringia à sua pasta:
"Sei de várias pessoas que devolviam o salário. Muitas continuam lá e não podem falar porque são coagidas. Têm medo de perder o emprego."
Além das denúncias de rachadinha, a gestão de Leandra Guedes também é alvo de questionamentos sobre nepotismo e contratos com indícios de favorecimento.
A irmã da prefeita, Aleuene Guedes, ocupa a Secretaria de Governo, com salário de R$ 19,7 mil. Já o marido de Aleuene, Carlos Marques, comanda a Secretaria de Agricultura e recebeu R$ 36,6 mil brutos em julho. Em abril de 2024, durante as férias do marido, Aleuene acumulou os dois cargos.
A sobrinha da prefeita, Manuela Guedes Viana, também ocupa posição de destaque, chefiando a Secretaria de Desenvolvimento Social, com salário idêntico ao da tia.
Além disso, há um contrato que prevê o repasse anual de R$ 372 mil com o Instituto de Ortopedia e Traumatologia de Ituiutaba, empresa da qual o atual namorado da prefeita é sócio.
Em nota, a prefeita Leandra Guedes afirmou não ter conhecimento das acusações:
"A prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes, desconhece a existência de qualquer denúncia, não foi citada em processo judicial e tem sido alvo de diversas notícias caluniosas. Assim, a gestora acionou a Justiça para identificar e responsabilizar os autores e se mantém à disposição dos órgãos competentes."
O R7 não obteve resposta da assessoria de André Janones, deputado federal e ex-companheiro de Leandra, citado como reduto eleitoral da prefeita. Também não houve manifestação do Instituto de Ortopedia e Traumatologia, de Anna Neves de Oliveira e de Aleuene Guedes.
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O selo ouro do município é traduzido no incentivo à pesquisa científica, criação do pelotão escolar/militar, aulas de música, práticas esportivas e a bolsa do BEEM.
A filiação integra a estratégia do PSD de fortalecer sua bancada federal, que hoje conta com 47 parlamentares.
Os indícios sugerem que as nomeações poderiam ter sido utilizadas como moeda de troca, com objetivo de garantir apoio financeiro e eleitoral.
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