Vereador Greg Duarte, de Angra dos Reis. Foto: Divulgação
A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira, 24 de março, a Operação Caça Fantasmas e colocou o vereador Greg Duarte, do PL, entre os alvos da investigação. A ação apura um possível esquema de nomeação de assessores sem atuação efetiva na Câmara Municipal de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro.
A operação mobilizou equipes para cumprir cinco mandados de busca e apreensão em diferentes cidades. Os agentes atuaram em Angra dos Reis, na capital fluminense e também em Juiz de Fora, em Minas Gerais. As diligências atingiram locais ligados aos investigados, como residências, um escritório de advocacia e um gabinete parlamentar.
Segundo a Polícia Federal, as investigações indicam que cargos públicos podem ter sido usados de forma irregular. A apuração aponta suspeitas de utilização desses cargos com finalidade eleitoral, além de possíveis omissões de despesas e irregularidades na aplicação de recursos durante campanhas.
Entre os pontos analisados, um caso específico chamou a atenção dos investigadores. Uma assessora, vinculada formalmente ao gabinete investigado, mantinha rotina incompatível com o cargo público. De acordo com a PF, ela cursava medicina em período integral em Juiz de Fora e também exercia atividade como cirurgiã-dentista na mesma cidade.
Essa situação levantou dúvidas sobre a efetiva prestação de serviço na Câmara Municipal de Angra dos Reis. A distância entre as cidades e a carga de atividades da assessora aparecem como fatores que reforçam a suspeita de irregularidade.
As investigações também apontam para a possível prática de uso de cargos comissionados como forma de articulação política. Os indícios sugerem que essas nomeações poderiam ter sido utilizadas como moeda de troca, com objetivo de garantir apoio financeiro e eleitoral fora dos registros oficiais.
Outro ponto que aparece na apuração envolve a suspeita de desvio de parte dos salários pagos a assessores. Esse tipo de prática, conhecido popularmente como “rachadinha”, consiste na devolução de valores ao agente político ou a terceiros, o que levanta questionamentos sobre a legalidade da utilização dos recursos públicos.
A Polícia Federal destacou que os elementos reunidos até o momento indicam possíveis crimes eleitorais e contra a administração pública. Entre as infrações investigadas estão falsidade ideológica eleitoral, peculato-desvio e abuso de poder político e econômico.
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