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PF cumpre busca e apreensão contra chefe da Polícia Civil que lidera quadrilha de fraude de concurso

Esquema envolvia obtenção de provas, envio de respostas e intermediação de gabaritos. De acordo com a PF, o grupo teria atuado em diferentes seleções.

19 de março de 2026 às 13:34   - Atualizado às 13:36

Ação foi autorizada pelo juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal em João Pessoa.

Ação foi autorizada pelo juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal em João Pessoa. Fotos: Polícia Federal/Arquivo e Pei Fon/Governo de Alagoas

A Polícia Federal realizou, na manhã desta última quarta-feira, 18 de março, uma operação com mandado de busca e apreensão contra o chefe da Polícia Civil de Alagoas. O alvo foi o delegado Gustavo Xavier, investigado por suspeita de comandar um esquema de fraudes em concursos públicos.

De acordo com a PF, o grupo teria atuado em diferentes seleções, incluindo processos para as polícias Civil e Científica de Alagoas, além de concursos do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Concurso Nacional Unificado (CNU).

Núcleo de comando e funcionamento

A ação foi autorizada pelo juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal em João Pessoa. De acordo com a decisão, há indícios de que o delegado exercia papel central no grupo, coordenando as operações e orientando os demais integrantes.

As investigações apontam que o suposto esquema funcionava com divisão clara de tarefas. Parte dos envolvidos ficaria responsável por obter o conteúdo das provas antes da aplicação, enquanto outros atuariam na transmissão de respostas aos candidatos, inclusive com o uso de equipamentos eletrônicos. 

Também havia integrantes encarregados de intermediar a negociação com interessados na compra de gabaritos.

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A PF afirma ainda que Xavier teria ampliado sua influência dentro do grupo após pressionar um dos operadores, Thyago José de Andrade, a seguir suas determinações. Outro nome citado é o do policial civil Eudson Oliveira de Matos, apontado como elo entre a liderança e os executores das fraudes.

Eudson também foi alvo de mandado de busca, cumprido dentro da Central de Flagrantes da Polícia Civil, onde já se encontra preso. Durante a ação, um celular foi apreendido.

Suspeitas de interferência

Além da atuação organizada, a PF investiga possíveis vantagens indevidas concedidas a pessoas próximas ao delegado. Entre os casos mencionados, está o de um familiar que teria sido beneficiado em pelo menos dois concursos.

Outro aspecto sob apuração é a suspeita de vazamento de informações sigilosas. Há indícios de que dados sobre operações policiais teriam sido antecipados a integrantes do grupo, o que poderia ter comprometido ações investigativas.

Segundo a Polícia Federal, o esquema teria alcance além das fronteiras de Alagoas, com atuação em diferentes estados e envolvimento em concursos de grande porte, inclusive de instituições públicas nacionais.

Para os investigadores, o conjunto de provas aponta para uma organização estruturada, com atuação contínua e mecanismos de ocultação de recursos, como lavagem de dinheiro, utilizados para disfarçar os pagamentos feitos por candidatos beneficiados.

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