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PF aponta Eduardo Bolsonaro como responsável por orientar US$ 24 milhões para financiar filme Dark Horse

Segundo as apurações, o fundo permaneceu sem operação por cerca de quatro anos antes de passar a receber repasses relacionados ao suposto financiamento do longa-metragem.

11 de setembro de 2026 às 11:58   - Atualizado às 12:00

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Divulgação. Arte: Portal de Prefeitura

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) é apontado pela Polícia Federal (PF) como responsável por orientar a gestão de recursos nos Estados Unidos destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com as investigações, o fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, teria sido utilizado para receber recursos destinados à produção cinematográfica. A estrutura é administrada por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo Bolsonaro.

Segundo a Polícia Federal, o fundo permaneceu sem operação por cerca de quatro anos antes de passar a receber repasses relacionados ao suposto financiamento do longa-metragem.

As informações fazem parte das investigações do chamado caso Master. Os documentos referentes à representação da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) foram tornados públicos na noite da quinta-feira, 10 de setembro, após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em atendimento a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

O inquérito específico que apura o financiamento da produção “Dark Horse”, no entanto, continua sob sigilo.

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Fundo receberia US$ 24 milhões para produção do filme

De acordo com o relatório da Polícia Federal, o fundo Havengate receberia do ex-banqueiro Daniel Vorcaro US$ 24 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 122 milhões. O envio dos recursos, porém, teria sido interrompido após a prisão de Vorcaro.

Na representação, a PF cita informações sobre a criação do fundo, que inicialmente teria como finalidade um empreendimento imobiliário. Criado em 2020 para um projeto estimado em US$ 21 milhões, o Havengate não possui, segundo a investigação, nenhuma propriedade em seu nome até o momento.

A Polícia Federal também faz referência a uma reportagem do Intercept, que esteve no local onde o empreendimento imobiliário deveria funcionar e não encontrou construções.

A empresa responsável pela gestão do fundo, a Calixsan Capital Management LLC, é controlada por Paulo Calixto e Altieris Santana. Segundo os investigadores, a companhia cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos no Texas, em maio de 2021, e na Flórida, em setembro do mesmo ano.

Para a PF, o fundo permaneceu juridicamente ativo, mas sem atividade operacional pública registrada durante quase quatro anos. A primeira remessa relacionada ao financiamento do filme teria sido recebida em fevereiro de 2025, no valor de US$ 2 milhões, provenientes da Entre Investimentos.

A empresa pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, que firmou acordo de delação premiada com a PGR. O acordo foi assinado e homologado pelo ministro André Mendonça nesta semana.

Mensagens citam orientação de Eduardo Bolsonaro

Para fundamentar o pedido de abertura de investigação sobre o financiamento do filme, a Polícia Federal também analisou mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda.

Segundo o relatório, mensagens reveladas pelo Intercept Brasil indicam que Eduardo Bolsonaro teria orientado a gestão dos recursos nos Estados Unidos e sugerido a utilização do fundo Havengate.

A investigação menciona ainda uma captura de tela atribuída a Eduardo Bolsonaro, na qual são apresentadas orientações sobre o envio e a administração dos recursos nos Estados Unidos.

A Procuradoria-Geral da República endossou o pedido de investigação feito pela Polícia Federal. De acordo com o material, a PGR apontou que Eduardo Bolsonaro teria colocado a estrutura do fundo à disposição para a movimentação dos recursos.

Apesar da retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso Master, o procedimento específico que investiga a produção de “Dark Horse” e as diligências relacionadas ao caso permanecem sob sigilo.

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