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'O legado de Bolsonaro foi trazer Lula de volta', diz governador Eduardo Leite

A fala do governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à Presidência da República aconteceu na palestra da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Fernanda Diniz

09 de março de 2026 às 13:40   - Atualizado às 13:44

Eduardo Leite e Bolsonaro.

Eduardo Leite e Bolsonaro. Foto: Arte/Portal de Prefeitura

O governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Leite (PSD), criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, 9 de março, durante palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Para Leite, o legado do capitão reformado foi trazer Lula de volta ao Palácio do Planalto.

Ele falou aos líderes de entidades comerciais e empresários ao lado dos demais pré-candidatos do PSD, os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

Também compareceu o líder do partido, Gilberto Kassab, e o secretário extraordinário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD).

"O legado de Bolsonaro foi trazer Lula, que estava politicamente inviabilizado, de volta", disse o governador gaúcho.

"Talvez o de Lula, se insistir na agenda de dividir, seja trazer o outro lado do grupo político de volta", afirmou referindo-se ao crescimento do senador e filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas pesquisas eleitorais.

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Nesse sentido, Leite afirmou ainda que os levantamentos devem ser "menos vistos" pela intenção de votos e mais pelo "sentimento" do eleitor brasileiro.

Ele salientou que as pesquisas mostram que "os dois principais protagonistas" da eleição também são altamente rejeitados e há espaço para o surgimento de "uma candidatura nova".

"A intenção de votos reproduz aquilo que o eleitor conhece. E conhece o nome de uma família que tem uma marca, conhece o atual presidente, que vai para sua sétima eleição", continuou o gaúcho "É natural que eles tenham hoje liderança. Os eleitores não conhecem o cardápio público que vai ser colocado a eles no processo eleitoral."

Leite afirmou que é possível dialogar simultaneamente com uma esquerda não lulista e uma direita não bolsonarista. Segundo ele, diferentemente do que ocorria no passado - quando a divisão entre esquerda e direita se dava principalmente a partir da visão sobre o papel do Estado na economia, se mais ou menos estatizante -, hoje os eleitores tendem a se posicionar a partir de determinadas causas e bandeiras.

Na avaliação dele, essas pautas não são inconciliáveis. O político argumentou que há, nesse campo da esquerda não lulista, uma preocupação legítima com políticas culturais, respeito à diversidade e inclusão, o que não impediria a aproximação com uma direita não bolsonarista que defende segurança pública mais firme, um Estado mais enxuto e maior valorização do empreendedorismo.

Nesse sentido, o chefe do Executivo gaúcho listou algumas das pautas que defenderá nas eleições deste ano, como a defesa de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deveriam ter idade mínima de 60 anos para assumir o cargo.

Ele afirmou ainda que políticas sociais não se sustentam caso o Estado amplie gastos sem que haja crescimento econômico capaz de financiá-las.

De acordo com Leite, o aumento das despesas públicas sem expansão da economia tende a gerar endividamento e juros mais altos, drenando recursos que poderiam ser direcionados a investimentos privados. Nesse contexto, disse acreditar em um Estado "menos gastador", com maior eficiência no uso do orçamento

No entanto, o gaúcho criticou a ideia de que o governante deve ser apenas um gestor e não um agente político. Ele disse sempre ter refutado essa visão e argumentou que, quanto mais ambiciosa for a agenda de reformas e de gestão de um governo, maior será a necessidade de articulação política para viabilizar mudanças.
 

Estadão Conteúdo 

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