Renato Machado. (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)
O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura à reeleição do deputado estadual Renato Machado (PT-RJ), sob a alegação de que o parlamentar seria uma das principais lideranças de uma organização criminosa com atuação em Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, município apontado como seu principal reduto eleitoral.
O pedido foi apresentado em agosto e sustenta que o grupo armado teria ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP) e seria “capitaneado” pelo deputado. Segundo o Ministério Público Eleitoral, a atuação operacional da organização estaria sob responsabilidade de Rodrigo José Barbosa da Silva, conhecido como Rodrigo Negão, apontado como principal aliado e suposto braço armado de Renato Machado.
As acusações fazem parte da argumentação apresentada pelo órgão para tentar barrar o registro da candidatura do parlamentar nas eleições de 2026.
De acordo com o Ministério Público Eleitoral, a organização investigada estaria envolvida na exploração clandestina de serviços de internet e televisão por assinatura, além da comercialização ilegal de cigarros e drogas.
A suposta relação com o TCP estaria associada, segundo a acusação, principalmente à atuação no tráfico de entorpecentes. O órgão também afirma que o grupo utilizaria a violência como forma de controlar o território e proteger suas atividades.
Entre os episódios citados pelo MP Eleitoral está o assassinato do jornalista Robson Giorno, ocorrido em Maricá, em 2019. O órgão sustenta que a organização teria como prática a execução de pessoas que contrariassem seus interesses.
As alegações, contudo, fazem parte do pedido de impugnação e ainda precisam ser analisadas pela Justiça Eleitoral. A apresentação da acusação não significa, por si só, que as imputações tenham sido comprovadas judicialmente.
Renato Machado também foi denunciado em 2024 pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que o acusou de ser o mandante da morte de Robson Giorno.
Na ocasião, porém, a Justiça entendeu que não havia elementos probatórios suficientes para sustentar a acusação contra o deputado. Com isso, a imputação relacionada ao homicídio não avançou nos termos pretendidos pelo Ministério Público.
A decisão anterior é um elemento relevante no histórico do caso, especialmente porque o assassinato voltou a ser mencionado na nova peça apresentada pelo Ministério Público Eleitoral.
O pedido do MP Eleitoral não representa uma decisão definitiva sobre a candidatura. Caberá à Justiça Eleitoral analisar os argumentos apresentados pelo órgão e decidir se Renato Machado poderá disputar a reeleição.
Até uma eventual decisão definitiva, o parlamentar é tratado como candidato cujo registro está sob questionamento judicial. A análise deverá considerar as provas apresentadas no processo e os argumentos da defesa.
O caso acrescenta mais um capítulo à disputa eleitoral no Rio de Janeiro e coloca sob análise da Justiça Eleitoral as acusações relacionadas à suposta atuação de grupos criminosos e suas conexões com a política local.
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