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Moraes afirma que Braga Netto entregou dinheiro escondido em sacola de vinho a major

O recurso seria utilizado para financiar despesas ligadas à tentativa de golpe de Estado.

Everthon Santos

15 de dezembro de 2024 às 11:54   - Atualizado às 11:54

Moraes e Braga Netto.

Moraes e Braga Netto. Foto: Agência Brasil

A prisão do general da reserva Walter Braga Netto, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou novos desdobramentos após revelações feitas no segundo depoimento do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a decisão judicial, surgiram “novos fatos” relacionados ao financiamento de ações golpistas que implicam diretamente o ex-ministro da Defesa.

De acordo com o relato de Moraes, Braga Netto teria entregado dinheiro em espécie, escondido em uma sacola de vinho, ao major Rafael Martins de Oliveira, integrante das Forças Especiais do Exército.

O recurso seria utilizado para financiar despesas ligadas à tentativa de golpe de Estado, incluindo o pagamento de R$ 100 mil para viabilizar a ida de manifestantes a Brasília, no episódio de 8 de janeiro de 2023.

O major Rafael de Oliveira, que já está preso, é acusado de ter negociado diretamente com Mauro Cid o repasse dos valores. Além disso, a investigação revela que parte do dinheiro teria sido usada para a compra de um celular pago em espécie.

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O dispositivo foi adquirido para ser utilizado em ações clandestinas realizadas em dezembro de 2022, ampliando os indícios de coordenação estratégica entre os envolvidos.

Posicionamento

Os advogados de defesa do general  Walter Braga Netto divulgaram uma nota, na tarde deste sábado, 14 de dezembro, em que manifestaram a crença no “devido processo legal” e que “teremos a oportunidade de comprovar que não houve qualquer obstrução as investigações”.

Os advogados Luís Henrique Cesar Prata, Gabriela Leonel Venâncio e Francisco Eslei de Lima, todos da Prata Advocacia, de Brasília, divulgaram que tomaram conhecimento “parcial”, pela manhã, da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), e que vão se manifestar nos autos do processo após “plena ciência dos fatos que ensejaram a decisão proferida”. 

Entenda o caso

A Polícia Federal prendeu o ex-ministro da Defesa e general Walter Braga Netto. Ele é um dos alvos do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado no país após as eleições de 2022. Braga Netto foi candidato a vice-presidente na chapa com Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. 

De acordo com o relatório da Polícia Federal, há “diversos elementos de prova” contra Braga Netto, que teria atuado para impedir a total elucidação dos fatos, com tentativa de obstruir as investigações e “com o objetivo de controlar as informações fornecidas, alterar a realidade dos fatos apurados, além de consolidar o alinhamento de versões entre os investigados”.

Segundo o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga a trama golpista, os desdobramentos da investigação, a partir da operação “Contragolpe”, e novos depoimentos de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, “revelaram a gravíssima participação de Walter Souza Braga Netto nos fatos investigados, em verdadeiro papel de liderança, organização e financiamento, além de demonstrar relevantes indícios de que o representado atuou, reiteradamente, para embaraçar as investigações”.

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