A declaração foi feita durante manifestação relacionada ao processo que tramita no STF e que tem Mendonça como relator.
17 de junho de 2026 às 14:23 - Atualizado às 14:25
Ministro do STF André Mendonça. Foto: Carlos Moura/ SCO/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou ter tido dúvidas sobre as circunstâncias da morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário". O homem morreu em março deste ano enquanto estava sob custódia da Polícia Federal (PF), em Minas Gerais, em um caso inicialmente registrado como suicídio.
A declaração foi feita durante manifestação relacionada ao processo que tramita no STF e que tem Mendonça como relator. Segundo o ministro, a morte causou impacto entre os envolvidos nas investigações, levando à necessidade de uma apuração detalhada para esclarecer o ocorrido.
De acordo com André Mendonça, a hipótese de que a morte pudesse estar relacionada à destruição de provas ou à eliminação de uma testemunha relevante chegou a ser considerada pelas autoridades. No entanto, ele ressaltou que os levantamentos realizados até o momento pela Polícia Federal não identificaram indícios que sustentassem essa suspeita.
“Foi um choque para todos nós a morte do senhor Felipe Mourão, conhecido como Sicário. Me custou a acreditar que fosse um suicídio”, afirmou o ministro ao comentar o caso.
Mendonça explicou que, diante das circunstâncias, foi determinada uma investigação para verificar se havia qualquer elemento que apontasse para uma possível ação criminosa. Segundo ele, a linha investigativa incluiu a análise da hipótese de uma eventual "queima de arquivo", expressão utilizada para se referir à eliminação de pessoas que poderiam fornecer informações relevantes em investigações.
Apesar das suspeitas iniciais, o ministro destacou que os relatórios produzidos até agora indicam que a morte ocorreu por decisão da própria vítima.
“Mandamos investigar com a suspeita de que pudesse ser uma queima de arquivos, alguma coisa do tipo. Mas todos os indicativos até agora, da Polícia Federal, indicam que não foi isso. Foi um ato voluntário dele. As razões nós não sabemos ao certo”, declarou.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão era apontado nas investigações como uma pessoa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Conforme os autos do processo, ele teria atuado na obtenção de informações sigilosas e em ações direcionadas contra pessoas consideradas adversárias do empresário.
As investigações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura supostas práticas irregulares envolvendo monitoramento de pessoas, coleta de informações e possíveis ações de intimidação.
Segundo documentos analisados pelos investigadores, conversas atribuídas aos envolvidos mostram discussões sobre levantamento de dados pessoais e estratégias voltadas ao acompanhamento de funcionários e outras pessoas ligadas ao ambiente empresarial.
Entre os diálogos citados no processo, há mensagens nas quais Mourão teria sido acionado para obter informações sobre determinadas pessoas e acompanhar situações consideradas sensíveis para os interesses do grupo investigado.
As apurações também mencionam trocas de mensagens envolvendo pedidos para reunir dados pessoais e informações detalhadas sobre funcionários. Esses elementos fazem parte do material analisado pela Polícia Federal no decorrer da investigação.
A morte de Mourão ocorreu enquanto as autoridades aprofundavam a análise dos fatos investigados pela Operação Compliance Zero. Por causa da relevância do personagem para o caso, o episódio gerou questionamentos e levantou dúvidas sobre as circunstâncias do ocorrido.
Mesmo assim, de acordo com o ministro André Mendonça, os elementos reunidos até o momento não apontam para participação de terceiros na morte. As conclusões preliminares da Polícia Federal indicam que o caso foi resultado de um ato voluntário.
As investigações relacionadas à Operação Compliance Zero continuam em andamento e seguem sob acompanhamento das autoridades responsáveis. O objetivo é esclarecer todos os fatos apurados, analisar as responsabilidades individuais e verificar a legalidade das condutas atribuídas aos investigados.
Enquanto o processo avança, a morte de Luiz Phillipi Mourão permanece como um dos episódios mais sensíveis ligados ao caso, especialmente pelo papel que ele ocupava nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.
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