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Lula insiste em Jorge Messias e prepara nova indicação ao STF após rejeição no Senado

O presidente tem reforçado que a definição de ministros do Supremo é uma competência exclusiva do chefe do Executivo e considera que não deve recuar.

18 de maio de 2026 às 10:04   - Atualizado às 10:06

Luiz Inácio Lula da Silva e Jorge Messias.

Luiz Inácio Lula da Silva e Jorge Messias. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e articula o reenvio do nome ao Senado Federal após a rejeição da primeira tentativa. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e aponta que o Palácio do Planalto pretende sustentar a escolha do atual advogado-geral da União (AGU) para ocupar uma cadeira na Corte.

De acordo com as informações ouvidas pela Folha de S.Paulo, Lula já avisou a integrantes do governo e aliados políticos que não pretende alterar sua decisão. O presidente tem reforçado que a definição de ministros do Supremo é uma competência exclusiva do chefe do Executivo e considera que não deve recuar diante do revés sofrido na votação anterior.

Nos bastidores, a avaliação é de que a rejeição representou um desgaste político para o governo federal. Pessoas próximas ao presidente afirmam que Lula interpretou a decisão do Senado como um movimento que atingiu não apenas Jorge Messias, mas também a própria gestão federal.

Mesmo diante do cenário adverso, o presidente entende que não existem fundamentos técnicos para impedir a nomeação do advogado-geral da União. Auxiliares do Planalto sustentam que, na visão de Lula, Messias apresentou desempenho considerado satisfatório durante a sabatina e demonstrou preparo jurídico e institucional para assumir uma vaga no STF.

Nova articulação

A expectativa entre integrantes do governo é de que a nova indicação seja formalizada antes das eleições de outubro. A movimentação faz parte da estratégia do Planalto para reorganizar a articulação política e tentar reunir apoio suficiente para uma nova análise do nome no Senado.

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Nos últimos dias, chegou a ser discutida internamente a possibilidade de apresentar um nome alternativo para a vaga. Entre as hipóteses consideradas estava a indicação de uma mulher para compor a Suprema Corte. A alternativa, no entanto, perdeu força.

Segundo aliados, Lula optou por manter a linha adotada desde o início do processo e decidiu insistir na candidatura de Jorge Messias. A orientação é seguir com a mesma estratégia política, sem mudanças significativas na condução das negociações.

A permanência da aposta no advogado-geral ganhou impulso após a cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Durante o evento, Messias recebeu manifestações públicas de apoio e aplausos que foram interpretados por integrantes do governo como um gesto de reconhecimento institucional.

Tensão

Dentro do Palácio do Planalto, o episódio foi visto como uma demonstração de respaldo ao nome do AGU, especialmente após a derrota sofrida no Senado. Para aliados do presidente, a repercussão reforçou a percepção de que Jorge Messias ainda reúne apoio em setores importantes do meio jurídico e político.

A cerimônia também evidenciou o distanciamento entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Relatos de pessoas presentes apontam que a relação entre os dois foi marcada por pouca interação durante o evento.

Segundo integrantes que acompanharam a solenidade, Alcolumbre não reagiu às homenagens direcionadas a Messias e manteve uma postura reservada em relação ao presidente da República. O comportamento foi interpretado como mais um sinal do clima de tensão entre o comando do Senado e o governo federal.

A nova tentativa de indicação deve recolocar em pauta o debate sobre a relação entre Executivo e Legislativo na escolha de ministros do Supremo. O caso também deve servir como um teste para a capacidade de articulação política do Palácio do Planalto diante de um Congresso considerado cada vez mais decisivo nas principais pautas institucionais.

Caso o nome seja oficialmente apresentado, o processo deve reacender discussões sobre os critérios de indicação ao STF e sobre o peso das articulações políticas nas decisões que envolvem a formação da mais alta Corte do país.
 

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