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Lula é orientado por aliados a convocar Conselho da República e defender mandato de ministros do STF

A avaliação de interlocutores próximos ao presidente é de que o governo precisa apresentar uma resposta capaz de reduzir a tensão.

Ricardo Lélis

08 de setembro de 2026 às 17:21   - Atualizado às 17:25

Lula pede votos para aliados e própria candidatura em convenção do PT na Bahia; lei eleitoral proíbe

Lula pede votos para aliados e própria candidatura em convenção do PT na Bahia; lei eleitoral proíbe Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a ser pressionado por auxiliares a adotar uma postura mais firme diante da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

A avaliação de interlocutores próximos ao presidente é de que o governo precisa apresentar uma resposta capaz de reduzir a tensão e, ao mesmo tempo, enfrentar o desgaste político provocado pelo tema.

Entre as medidas discutidas estão a convocação do Conselho da República, a abertura de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes e uma proposta de mudança constitucional para estabelecer mandato para futuros integrantes do STF.

A movimentação ocorre em um momento de preocupação dentro do Palácio do Planalto com o desempenho de Lula nas pesquisas de opinião e com a disputa pela Presidência da República.

Uma pesquisa da Nexus, divulgada nesta terça-feira (8), apontou Flávio Bolsonaro, candidato do PL, numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno.

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Para auxiliares do presidente, a crise no STF deverá ocupar espaço central na reta final da campanha eleitoral. A percepção dentro do governo é de que nenhum outro assunto, incluindo economia, segurança pública ou soberania nacional, terá peso semelhante na disputa.

Aliados defendem nova conversa entre Lula e Fachin

Interlocutores diretos de Lula na Esplanada dos Ministérios consideram necessária uma nova conversa urgente entre o presidente e o ministro Edson Fachin, presidente do STF. A intenção seria avaliar os próximos passos e buscar uma saída considerada "pacificadora" para a crise.

Na avaliação de integrantes do entorno presidencial, uma eventual solução passaria pela abertura de investigações contra Alexandre de Moraes.

A ideia, segundo esses auxiliares, poderia ser transmitida a Fachin como parte de uma tentativa de encaminhar institucionalmente o impasse, ainda que a medida não seja defendida publicamente pelo governo.

Outro ponto de preocupação é a permanência do ministro André Mendonça como relator dos casos Master e INSS. O Planalto considera inaceitável a continuidade de Mendonça à frente dos processos e sustenta que ele teria perdido a imparcialidade necessária para conduzir os casos.

Os mesmos interlocutores também defendem o encerramento do inquérito das fake news como parte de uma possível saída para a crise.

A discussão ocorre paralelamente à estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro. A campanha do candidato do PL tem explorado a possibilidade de Lula indicar mais quatro ministros do STF até 2030, caso seja reeleito em outubro.

Como contraponto, integrantes do entorno do presidente avaliam que Lula deveria defender imediatamente uma alteração constitucional para estabelecer mandato para futuros ministros da Suprema Corte. A proposta em discussão prevê períodos de dez ou 15 anos para os integrantes do tribunal.

Conselho da República divide opiniões no governo

Outra alternativa apresentada ao presidente é a convocação extraordinária do Conselho da República. O órgão tem a função de assessorar a Presidência em momentos de crise e reúne representantes dos Poderes Executivo e Legislativo, além de integrantes da sociedade civil.

Fazem parte do colegiado representantes do Executivo, os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, líderes da maioria e da minoria das duas Casas e representantes da sociedade civil.

Apesar de ser considerada uma possibilidade de resposta institucional, a convocação ainda provoca divergências dentro do governo. Parte dos integrantes do entorno de Lula avalia que uma reunião extraordinária poderia ampliar a exposição pública da crise e acabar produzindo efeitos negativos para a campanha de reeleição.

Diante desse cenário, o comitê petista defende que Lula adote uma postura compatível com o cargo de presidente da República diante da decisão que afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.

A orientação entre aliados é para que o chefe do Executivo reaja de maneira mais incisiva, enquanto o governo tenta encontrar uma saída para uma crise que, na avaliação de seus próprios integrantes, poderá ter forte influência sobre o ambiente político e eleitoral nos próximos meses.

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