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Justiça derruba liminar e libera curso de medicina da UFPE voltado para membros do MST

Ao analisar o caso, o desembargador federal Fernando Braga Damasceno, relator do processo, entendeu que o Pronera é uma política pública respaldada por lei e por decretos federais.

Ricardo Lélis

07 de outubro de 2025 às 19:20   - Atualizado às 19:20

Bandeira do MST.

Bandeira do MST. Foto: Divulgação/MST

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) decidiu, nesta terça-feira, 7 de outubro, derrubar a liminar que suspendia o edital do curso de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Campus do Agreste, em Caruaru., para membros do MST.

A seleção oferece 80 vagas destinadas a beneficiários do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). A decisão ainda cabe recurso.

A suspensão havia sido determinada pela Justiça Federal em Pernambuco, em resposta a uma ação popular movida pelo vereador do Recife Tadeu Calheiros (MDB).

Ao analisar o caso, o desembargador federal Fernando Braga Damasceno, relator do processo, entendeu que o Pronera é uma política pública respaldada por lei e por decretos federais, que autorizam a parceria entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e universidades públicas para ofertar cursos voltados a assentados da reforma agrária.

Com a decisão, o edital do curso de Medicina poderá voltar a tramitar normalmente, garantindo a continuidade do processo seletivo da UFPE no Agreste.

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“A hipótese dos presentes autos evidencia uma ação afirmativa educacional voltada a grupo historicamente marginalizado (população do campo beneficiária da reforma agrária). Note-se aqui que as 80 (oitenta) vagas do edital impugnado são suplementares, ou seja, não se retira uma única vaga do processo regular (SISU) e que o financiamento é externo [R$18.648.000,00 (dezoito milhões, seiscentos e quarenta e oito mil reais) do INCRA e não do orçamento regular da UFPE]”, disse o magistrado na decisão.

Ação no TCU

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) apresentou uma representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a suspensão imediata do Edital nº 31/2025, lançado pela UFPE.

Segundo o parlamentar, a medida levanta dúvidas sobre sua legalidade e constitucionalidade, já que restringe totalmente o acesso a um curso público de alto prestígio e elevado custo a um grupo específico, formado por assentados da reforma agrária, quilombolas, educadores do campo e outros beneficiários do programa.

“Esse edital, na prática, exclui qualquer possibilidade de ampla concorrência. É uma seleção com recursos públicos que não permite igualdade de condições a todos os estudantes interessados”, declarou Nogueira.

Além da representação no TCU, o deputado protocolou um requerimento na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, solicitando a convocação do ministro da Educação, Camilo Santana, para prestar esclarecimentos.

A ideia é que o MEC explique os critérios utilizados para a formulação do edital e como a iniciativa se enquadra dentro das políticas educacionais em vigor.

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