A crise envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal ganhou força após André Mendonça retirar, em 1º de setembro, o sigilo de documentos de uma investigação .
08 de setembro de 2026 às 10:57 - Atualizado às 10:59
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Foto: Carlos Moura/SCO/STF e José Cruz/Agência Brasil
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista e suspendeu, nesta terça-feira, 8 de setembro, o julgamento da decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
A decisão de Mendonça ainda precisava ser referendada pela Segunda Turma do STF. Antes do pedido de vista apresentado por Gilmar Mendes, no entanto, os ministros que já haviam antecipado seus votos formaram maioria para manter o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.
A medida havia sido tomada por André Mendonça após pedidos apresentados pelo partido Novo para o afastamento e prisão de Andrei Rodrigues. Na decisão, o ministro citou a “superlativa gravidade e ilicitude” de relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal e afirmou ter sido alvo de monitoramento sistemático pela corporação.
Além do afastamento dos dois dirigentes, Mendonça determinou a abertura de investigação para apurar os fatos e suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência relacionados à atuação de autoridades.
A crise envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal ganhou força após André Mendonça retirar, em 1º de setembro, o sigilo de documentos de uma investigação que reúne registros relacionados ao ministro Alexandre de Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O material foi produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular do banqueiro e apresenta mensagens, encontros e negociações envolvendo Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.
O documento, classificado como Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A), havia sido encaminhado a André Mendonça em 27 de agosto. Segundo informações da investigação, o celular de Vorcaro possuía diferentes registros associados a um mesmo número de telefone atribuído a Alexandre de Moraes.
Na última quinta-feira (3), Alexandre de Moraes determinou o envio ao presidente do STF, Edson Fachin, de relatórios da Polícia Federal que apontariam possíveis irregularidades na atuação de André Mendonça à frente das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
O episódio ampliou a crise envolvendo integrantes da Corte e levantou questionamentos sobre a produção e a circulação de documentos de inteligência da Polícia Federal.
Nesta terça-feira, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada da Costa. Segundo o ministro, ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias, teriam sido alvos de monitoramento por parte da Inteligência da PF.
A decisão foi submetida à análise da Segunda Turma do STF, que chegou a formar maioria para manter o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal. O julgamento, porém, foi suspenso após o pedido de vista apresentado por Gilmar Mendes e ainda deverá ser retomado.
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O ministro também solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para analisar e referendar a decisão ainda nesta terça-feira, 8 de setembro.
A decisão liminar atende parcialmente a um pedido de direito de resposta apresentado pelo deputado do PL.
O Ministério Público obteve liminar que determinou a retirada dos conteúdos discriminatórios postados pelo pai da vítima nas redes sociais e estabeleceu uma multa diária de R$ 2 mil, caso voltasse a veiculá-los.
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