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Canibais de Garanhuns: líder do grupo pede prisão domiciliar após alegar cegueira irreversível

A defesa sustenta que o estado de saúde de Jorge Beltrão é delicado e que ele depende de ajuda para realizar atividades básicas do dia a dia.

Gabriel Alves

18 de março de 2026 às 10:24   - Atualizado às 10:24

Trio conhecido como "canibais de Garanhuns".

Trio conhecido como "canibais de Garanhuns". Foto: PCPE

Considerado o líder do grupo "canibais de Garanhuns", Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 64 anos, entrou na Justiça pedindo prisão domiciliar por motivos de saúde. Preso no Presídio Policial Penal Leonardo Lago (PLL), no Complexo do Curado, localizado na Zona Oeste do Recife, o detento foi condenado pelo homicídio de três mulheres no emblemático caso ocorrido em 2012.

Um laudo médico anexado ao processo aponta que o detento está em condição estável e recebe acompanhamento clínico, psiquiátrico e psicológico dentro da unidade prisional. Apesar disso, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) informou que é necessário verificar se o local dispõe de estrutura adequada para garantir atendimento integral e digno ao preso.

O MPPE também destacou que a Junta Multiprofissional da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap) está, no momento, sem médico responsável para emissão de parecer técnico.

Defesa

A defesa sustenta que o estado de saúde de Jorge Beltrão é delicado e que ele depende de ajuda para realizar atividades básicas do dia a dia. Ainda segundo os advogados, o presídio não teria condições adequadas para oferecer a assistência necessária. A defesa não comentou oficialmente o caso.

No dia 4 de março, o juiz Evandro de Melo Cabral considerou o posicionamento do Ministério Público. Na decisão, ele menciona que o detento apresenta cegueira bilateral irreversível, após perda progressiva da visão ao longo dos anos.

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O magistrado determinou que a unidade prisional informe, de forma detalhada, se possui condições de atender o interno, especialmente em aspectos como mobilidade, higiene, alimentação, segurança, administração de medicamentos e acompanhamento especializado compatível com o quadro clínico.

Após a resposta do presídio, o Ministério Público deverá se manifestar novamente sobre o pedido de prisão domiciliar.

Da redação do Portal com informações do Diario de Pernambuco.

Relembre o caso

O caso que ficou conhecido como “canibais de Garanhuns” ganhou repercussão em nível nacional e é considerado um dos crimes mais chocantes da história recente de Pernambuco. As investigações apontaram que Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, junto com duas mulheres, formava um grupo responsável pelo assassinato de, pelo menos, três mulheres no município de Garanhuns, no Agreste do estado.

De acordo com a Polícia Civil (PCPE), os crimes ocorreram entre os anos de 2008 e 2012. As vítimas eram atraídas com promessas de emprego ou ajuda financeira e, após serem levadas até o grupo, acabavam assassinadas. As apurações indicaram que os corpos eram esquartejados e partes da carne eram consumidas pelos envolvidos.

Além disso, a polícia identificou que a carne humana também teria sido utilizada no preparo de alimentos, como salgados, que chegaram a ser vendidos na região. 

Durante as investigações, também foram encontrados escritos atribuídos a Jorge Beltrão, nos quais ele relatava uma suposta motivação ideológica para os assassinatos. Ele afirmava que os crimes faziam parte de um plano para “purificar o mundo”, o que também foi analisado pelas autoridades durante o processo.

O trio foi preso em 2012, após a polícia localizar restos mortais de vítimas e reunir provas que ligavam os suspeitos aos crimes. Ao longo do processo, eles foram condenados por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

O caso segue sendo lembrado como um dos mais brutais já registrados no estado, tanto pela violência dos assassinatos quanto pelos detalhes revelados ao longo das investigações.

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