Janja em foto postada em fevereiro de 2021 junto a orixás da Umbanda e Candomblé Foto: Divulgação/Twitter
A busca por uma maior aproximação com o eleitorado evangélico se tornou uma das principais estratégias do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições presidenciais de 2026. O segmento religioso, que representa uma parcela significativa do eleitorado brasileiro, é considerado um dos grupos mais disputados no próximo pleito.
Dentro desse movimento, a resistência de parte dos evangélicos à primeira-dama Janja da Silva passou a ser apontada por integrantes do partido como um dos obstáculos para ampliar o diálogo com esse público.
O PT tem promovido encontros com lideranças religiosas e discutido novas formas de comunicação com os fiéis, em uma tentativa de reduzir a rejeição histórica de setores evangélicos ao partido e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A estratégia do partido envolve a realização de reuniões com representantes de diferentes denominações religiosas e a construção de uma agenda de diálogo com grupos ligados ao segmento.
Entre as iniciativas está a atuação do Setorial Inter-religioso do PT, que defende uma aproximação baseada no reconhecimento da importância das igrejas como espaços de atuação social e apoio comunitário.
A legenda também já divulgou uma mensagem voltada aos evangélicos, destacando a relação entre fé e participação social, em uma tentativa de estabelecer uma ponte com um público que tradicionalmente apresenta maior resistência ao campo político de esquerda.
Apesar das ações de aproximação, a imagem de Janja continua sendo um ponto de atenção para setores do PT que trabalham a estratégia junto ao eleitorado evangélico.
Nas redes sociais, a primeira-dama é frequentemente alvo de críticas e associações feitas por opositores, incluindo questionamentos relacionados à sua relação com pautas culturais e religiosas.
Durante um encontro com representantes evangélicas, Janja afirmou não compreender parte da rejeição direcionada a ela e disse que o campo progressista também defende valores presentes no Evangelho e na Bíblia.
A participação da ex-ministra Marina Silva, que é evangélica, ao lado da primeira-dama, também fez parte do esforço de aproximação com esse público.
A disputa pelo voto evangélico deve ser um dos principais temas das eleições de 2026. O segmento ganhou maior protagonismo político nas últimas décadas e passou a ter influência crescente nos debates eleitorais.
Historicamente, candidatos ligados à direita conseguiram maior identificação com parte desse eleitorado, especialmente em temas relacionados a costumes e valores sociais.
Agora, o PT tenta construir uma nova narrativa para dialogar com esse público, destacando pautas sociais e a atuação das igrejas em comunidades.
O desafio da legenda será superar resistências já consolidadas e ampliar a comunicação com um grupo que possui diferentes correntes internas e posicionamentos políticos variados.
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