Presidente Lula (PT) Foto: Agência Brasil
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembolsou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares até o início de julho, estabelecendo o maior volume de pagamentos já registrado em um período que antecede eleições federais.
O montante supera, inclusive, todo o valor pago ao longo de 2022, quando o Executivo liberou R$ 28,04 bilhões durante os 12 meses.
Os números reforçam que a atual gestão acelerou a liberação de recursos destinados ao Congresso em um período que antecede a disputa eleitoral, alcançando o maior patamar de pagamentos já registrado na série histórica.
Os dados são do painel Siga Brasil, do Senado Federal, que reúne informações sobre a autorização e a execução das emendas parlamentares apresentadas por deputados e senadores desde 2015. O levantamento considera tanto os pagamentos realizados no exercício atual quanto os valores classificados como restos a pagar.
A antecipação dos repasses chama atenção pela dimensão dos recursos liberados antes do período eleitoral. Na comparação com os primeiros seis meses de outros anos em que ocorreram eleições gerais, o crescimento é expressivo. Até o fim de junho de 2022, haviam sido pagos R$ 20,43 bilhões em emendas, enquanto, no mesmo intervalo de 2018, o total alcançou R$ 6,41 bilhões.
Mesmo considerando a correção pela inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o volume desembolsado em 2026 permanece como o maior da série histórica. Atualizado pela inflação, o valor correspondente a 2022 seria de R$ 21,63 bilhões, enquanto o de 2018 chegaria a R$ 9,6 bilhões.
O cenário também representa um recorde quando comparado a anos de eleições municipais, como 2016 e 2020. Em relação a 2024, o sistema Siga Brasil não permite detalhar os pagamentos por mês, mas registra que, ao longo de todo o exercício, foram pagos R$ 31,4 bilhões em emendas parlamentares.
Em relação aos R$ 33,89 bilhões pagos até 5 de julho deste ano, cerca de R$ 25,31 bilhões são referentes a emendas de 2026 e os outros R$ 8,58 bilhões referentes a emendas de anos anteriores. No primeiro semestre, o Executivo executou as despesas de 23.752 de senadores e deputados federais.
No recorte por subfunção, os pagamentos aparecem fortemente concentrados na área da saúde. Atenção Básica lidera o ranking, com R$ 10,93 bilhões, seguida muito de perto por Assistência Hospitalar e Ambulatorial, com R$ 10,73 bilhões.
Pagamentos descritos como "Outras Transferências" somam R$ 4,55 bilhões, enquanto os demais setores ficam abaixo: Assistência Comunitária (R$ 1,29 bilhão), Promoção da Produção Agropecuária (R$ 1,21 bilhão), Serviços Socioassistenciais (R$ 965,23 milhões), Desporto Comunitário (R$ 752,5 milhões) e Infraestrutura Urbana (R$ 720,84 milhões).
Na sequência, surgem Transferências a Estados, Distrito Federal e Municípios, com R$ 4,54 bilhões, e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, com R$ 1,71 bilhão.
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