Árbitro somali. Foto: Mosa'ab Elshamy
O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, cotado para fazer história como o primeiro juiz de seu país em uma Copa do Mundo, teve sua entrada barrada nos Estados Unidos sob a acusação de envolvimento com terrorismo, ao menos foi essa a justificatida dada pelo governo estadunidense para o veto.
A decisão da gestão de Donald Trump se baseou em um pente-fino do órgão de Proteção de Alfândega e Fronteiras, que alegou ter encontrado supostos vínculos do profissional com organizações suspeitas.
No entanto, o veto repentino, amparado pela Seção 235 da Lei de Imigração e Nacionalidade, soou como uma justificativa excessiva para legitimar a postura hostil de Washington com o visitante.
Ao Globo Esporte, Artan protestou e afirmou que as autoridades americanas não apresentaram nenhuma prova ou justificativa factual no momento do bloqueio.
Em contrapartida, o governo limitou-se a enviar um comunicado protocolar à emissora Fox News para respaldar a exclusão por vias burocráticas. Diante do impasse que afeta diretamente a carreira do árbitro, a Fifa optou pela neutralidade e declarou não interferir nas decisões migratórias das nações sedes.
O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos e está fora da Copa do Mundo de 2026. Eleito o melhor juiz da África em 2025, o profissional seria o primeiro representante de seu país a apitar no torneio.
A decisão das autoridades de imigração americanas ocorreu no último sábado, 6 de junho, logo após o desembarque do profissional no aeroporto de Miami.
Mesmo apresentando visto válido, credenciais da Fifa e documentos de sua carreira, Artan foi retido e interrogado por cerca de 11 horas.
Segundo o árbitro, os agentes questionaram sua origem e a situação política da Somália, mencionando o grupo extremista Al Shabab.
Apesar do suporte da embaixada somali, a entrada foi recusada, e ele acabou deportado em um voo para Istambul, de onde retornará a Mogadíscio, capital da Somália.
Ao jornal The New York Times, Artan expressou forte desabafo sobre os quatro anos de preparação interrompidos pelas restrições de viagem impostas pelos EUA a cidadãos de seu país. "Estou muito decepcionado.
“Estou muito decepcionado. Sou apenas um árbitro tentando realizar o maior sonho da minha vida, que era participar da Copa do Mundo. Sou apenas um árbitro tentando realizar o maior sonho da minha vida", lamentou.
A Fifa foi procurada, mas não se manifestou sobre o corte do profissional do quadro da competição.
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