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Descontos indevidos no INSS cresceram quase cinco vezes e maioria ocorreu no governo Lula

Dados da CGU mostram que 62,5% do valor investigado entre 2019 e 2024 foi registrado durante a atual gestão federal.

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04 de julho de 2026 às 14:57   - Atualizado às 15:03

Comparação Governo Lula e Bolsonaro (INSS)

Comparação Governo Lula e Bolsonaro (INSS) Foto: Reprodução/IA

Os descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aumentaram de forma expressiva nos últimos anos. Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que o valor das cobranças investigadas passou de R$ 706 milhões em 2022 para R$ 3,3 bilhões em 2024, representando um crescimento de quase cinco vezes no período.

O levantamento permite comparar os números registrados nas diferentes gestões federais. Segundo a CGU, dos valores apurados entre 2019 e 2024, cerca de 62,5% do montante foi contabilizado durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Crescimento dos descontos investigados

Os dados da CGU indicam que o aumento das cobranças ocorreu principalmente entre 2023 e 2024, período em que as investigações identificaram a expansão dos descontos associativos realizados diretamente nos benefícios previdenciários.

Entre 2022 e 2024, o valor sob investigação passou de R$ 706 milhões para R$ 3,3 bilhões. O crescimento também foi acompanhado pelo aumento do número de aposentados e pensionistas que relataram descontos não autorizados.

Segundo auditoria realizada pelo órgão, 97,6% dos 1.273 beneficiários entrevistados afirmaram não ter autorizado as cobranças, enquanto 96% disseram não fazer parte das associações responsáveis pelos descontos.

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Governo foi alertado durante avanço das irregularidades

Documentos da investigação mostram que o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, foi informado sobre o crescimento das reclamações em junho de 2023, durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social.

Apesar do alerta, o tema passou a integrar oficialmente a pauta do conselho apenas em abril de 2024. Nesse intervalo, conforme os dados da CGU, os valores descontados continuaram crescendo.

As investigações deram origem à Operação Sem Desconto, que apura a atuação de entidades suspeitas de realizar cobranças sem autorização dos beneficiários.

CPMI terminou sem aprovação do relatório

O caso também foi investigado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O relatório final propunha o indiciamento de 216 pessoas, entre elas o ex-ministro Carlos Lupi, o empresário conhecido como "Careca do INSS" e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Entretanto, o documento foi rejeitado pela maioria da base governista e não chegou a ser aprovado pela comissão.

Ressarcimento será feito com recursos da União

O governo federal anunciou o ressarcimento dos aposentados e pensionistas que sofreram descontos considerados indevidos. A devolução dos valores será realizada com recursos da União por meio de crédito extraordinário.

Embora as investigações incluam fatos iniciados antes de 2023, os dados da Controladoria-Geral da União mostram que a maior parte do volume financeiro apurado no período de 2019 a 2024 foi registrada durante a atual gestão federal, tornando o caso um dos principais temas de debate político envolvendo a administração do INSS e o sistema previdenciário brasileiro.

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