Deputada do MDB acusa ex-marido de violência doméstica: "Fui xingada, maltratada e ameaçada" Fotos: Divulgação
A deputada federal Marussa Boldrin (MDB-GO) revelou nesta segunda-feira, 28 de abril, que foi vítima de violência doméstica enquanto estava casada com seu ex-marido. O desabafo da parlamentar foi feito por meio de uma carta aberta publicada em sua rede sociais, onde a mulher conta que sofreu agressões físicas, abuso psicológico e violência moral.
No texto, Marussa afirma que a primeira agressão sofrida foi em 2023, e a segunda esta ano, quando decidiu procurar a polícia para registrar um Boletim de Ocorrência e solicitar uma medida protetiva baseada na Lei Maria da Penha.
Mesmo sem citar o nome do ex-marido, e acusado, Marussa foi casada com Sinomar Júnior, ex-superintendente da Secretária de Esporte e Lazer de Goiás.
No período em que esteve casada com o agressor, a deputada disse que ficou em silêncio por acreditar que a maternidade e o amor poderiam transformar seu relacionamento. Porém, mesmo quando esteve grávida de seu segundo filho, ela sofreu abusos.
“Fui xingada, maltratada, ameaçada e humilhada, criando, infelizmente, uma rotina de sofrimento”, revelou.
A Delegacia de Polícia de Rio Verde, localizada a 230 km da capital goianiense, registrou a denúncia da deputada. Marussa também realizou exame de corpo de delito para comprovar as agressões e ambasar as medidas judiciais.
Como prlamentar, Marussa é autora de projetos de lei voltados à proteção das mulheres na Câmara dos Deputados, um deles propõe o aumento de pena para casos de feminicídios em áreas rurais.
"Você sabe que pode contar comigo sempre, Marussa Boldrin. Deus vai te fortalecer e você vai SIM recomeçar, porque você merece ser feliz e, acima de tudo, merece paz, respeito, reconhecimento e merece também viver em um lar livre de qualquer agressão, assim como seus filhos. Receba meu abraço você, meu apoio e tô com essa caminhada, flor!!!"
"Por todas as mulheres que já silenciaram sua dor
Eu estive em um relacionamento abusivo. Dizer isso em voz alta já é, por si só, um ato de coragem. Durante anos, fui silenciada dentro da minha própria casa. Fui desvalorizada, desacreditada, diminuída como mulher, como mãe e como profissional. E, por muito tempo, acredito que suportarei em silêncio era o caminho. Hoje, sei que não era.
Me casei acreditando no amor, acreditando na parceria. Tínhamos uma filha a caminho, uma vida inteira pela frente e muitos sonhos a serem vívidos. Mas, logo após o nascimento da minha primeira filha, o homem que havia jurado cuidar de mim se atrasou, emocional e fisicamente, e as agressões psicológicas começaram. Eu tentava compreender, tentava reconectar, insistia no que já não existia. Não casei para separar, repeti isso tantas vezes para mim mesma.
Insisti, mesmo quando ele passou a me ferir com palavras. Quando pensei que meu trabalho não prestava, que eu era incompetente. Quando desdenhava do meu mandato, usando até mesmo palavras de baixo calão. Quando eu dizia sentir nojo do meu leite enquanto eu amamentava. Ainda assim, eu me calava. Por medo, por vergonha, por acreditar que tudo vai mudar. Eu me calei. E me arrependendo profundamente de ter silenciado a minha voz.
Enquanto eu lutava na vida pública, ele me sabotava na vida privada. Nunca me apoiou com sinceridade, apenas por conveniência. Nem mesmo compareceu à minha posse de reeleição como vereadora. Eu segui tentando. Mesmo depois de descobrir uma traição, em que uma outra pessoa chegou a me mandar uma mensagem expondo o relacionamento entre eles, tentou reconstruir. Engravidei do segundo filho mais uma vez tentando concordar a rota do abuso com amor. Ao invés da relação entre sinais de melhoria, os abusos se transformaram em pesadelos diários e a pressão psicológica e moral passaram a ser regra dentro de um lar que deveria ser um porto seguro.
Fui xingada, maltratada, ameaçada e humilhada criando, infelizmente, uma rotina de sofrimento. Me agarrei à falsa esperança de que o amor pudesse curar o que, na verdade, era abuso. Mas não há cura quando não há respeito. Não há ajuda possível onde há destruição emocional diária.
A distância entre nós passou a ser uma questão de segurança para mim e quando decidi avançar na política almejando uma carga maior, ele se reaproximou não por mim, mas pelo interesse no que eu representava.
E, mais uma vez, eu iludi acreditar que a prestação dele era real, mas o tempo provou que eu estava errado. Ele continuou a me machucar psicologicamente e a me humilhar moralmente. E, em 2023, ultrapassou todos os limites: me agredi fisicamente pela primeira vez. Eu tive medo. Tive vergonha e optei por não contar nem para minha família, que já havia entendido o relacionamento abusivo em que eu estava.
Pensando em proteger nossos filhos do trauma de um presente e com medo de expor minha vida em público, decidir seguir com medo.
Nos últimos tempos, minha vida ganhou intensidade. Me divido entre Brasília e meus filhos, entre compromissos e a maternidade. Direcionei todo meu amor para meus pequenos. Sempre fui mãe, mesmo sob ameaças. Mesmo ouvindo gritos e ofensas e agressões. Passamos a coexistir no mesmo ambiente, dividindo apenas o mesmo teto. Eu estava sozinho, buscando forças para sair de um relacionamento que nunca deveria ter sido construído. Em 2025 resolvi seguir com minha vida para tentar voltar a ter paz, ele reagiu com ódio e me espancou pela segunda vez, agora com mais intensidade. E finalmente resolvi falar. Tive coragem de procurar a delegacia, de fazer o boletim de ocorrência, o corpo de delito, e pedir uma medida protetiva. Porque não cabe amor onde existe violência.
Eu sobrevivi.
Busquei em Deus a força e a coragem que eu preciso, e agora, finalmente, eu falei. Falei por mim e por todas as mulheres que sofrem em silêncio. Falei porque quero viver feliz, e a felicidade só é possível com paz. Tomei meu primeiro passo para romper de vez esse ciclo. Meu retrato já foi consumido pela justiça que entendeu os abusos que vivi e me garantiu a guarda dos meus filhos.
A justiça já conhece a minha verdade, e sei que para uma pessoa que só conhece a agressão, falta a ele tentar agredir minha imagem de maneira pública. Vou usar esse episódio infeliz como uma manobra política para tentar abafar os abusos que vivi em troca de desgaste de imagem e não vou aceitar isso.
Eu vou resistir assim como já resisti aos abusos morais e físicos. Eu sei que tenho a verdade ao meu lado e mais: tenho minha história, meu trabalho limpo e o apoio de quem sempre me viu com respeito.
Não quero mais carregar essa dor calada. Não quero mais fingir que está tudo bem. Não aceito mais ser abusado, nem físico, nem moral, nem psicologicamente. E se você, mulher, estiver lendo isso e vivendo algo parecido, saiba: você não está sozinha. Não tenha medo de denunciar, de pedir ajuda, de buscar sua liberdade.
Hoje, começo a escrever um novo capítulo da minha vida. Um capítulo de cura, de força, de dignidade.
Por mim. Pelos meus filhos. Por todos nós.
Marussa"
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