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Hugo Motta sobre inelegibilidade: '8 anos é um tempo extenso'

Apesar da declaração, Motta garantiu que não há compromisso da presidência da Câmara em alterar a regra atual.

Kessya Goes

07 de fevereiro de 2025 às 13:18   - Atualizado às 13:27

O presidente da Câmara, Hugo Motta.

O presidente da Câmara, Hugo Motta. Foto: Reprodução / Cãmara dos deputados

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que considera longo demais o prazo de inelegibilidade de oito anos imposto pela Lei da Ficha Limpa. Segundo o deputado, quatro eleições representam "uma eternidade".

"Com eleição de dois em dois anos, não reconhecer que oito anos de inelegibilidade é muito tempo é não reconhecer a realidade democrática do País", disse, em entrevista publicada nesta sexta-feira, 7, pelo jornal O Globo.

Apesar da declaração, Motta garantiu que não há compromisso da presidência da Câmara em alterar a regra atual.

A discussão sobre reduzir esse período tem sido impulsionada por parlamentares aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O deputado Bibo Nunes (PL-RS) apresentou um projeto para diminuir a inelegibilidade de oito para dois anos, o que permitiria a Bolsonaro concorrer em 2026.

Na terça-feira, 4, Motta já havia se manifestado sobre o tema. Em entrevista à CNN Brasil, o presidente da Câmara disse que oito anos de inelegibilidade "é um tempo extenso".

'Bolha'

Motta também criticou a abordagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao afirmar que ele não deve repetir a estratégia de Bolsonaro e falar apenas para uma "bolha". Segundo ele, o governo precisa focar em resultados concretos.

"Não podemos, em um país complexo como o Brasil, ficar refém de posicionamentos ideológicos. O governo precisa entender isso. Não adianta Lula fazer o que Bolsonaro fez e ficar o tempo todo falando para uma bolha que o faz errar", afirmou o deputado.

Embora tenha elogiado programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pé-de-Meia, Motta avaliou que a gestão petista tem falhado na condução da economia. "Do ponto de vista econômico, o governo tem vacilado e deixado de tomar decisões necessárias. Isso tem trazido instabilidade."

Falta de consenso sobre anistia


O presidente da Câmara comentou ainda a proposta de anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Motta disse que a falta de consenso sobre o tema provoca tensão entre os Poderes. "Não faremos uma gestão omissa. Enfrentaremos os temas, mas com responsabilidade e sem tocar fogo no País", afirmou.

Motta revelou que conversou com Bolsonaro sobre o assunto e que o ex-presidente pediu para que a pauta não fosse prejudicada, caso houvesse acordo no colégio de líderes. Já em reunião com o PT, ouviu o pedido para que a proposta não avance na Câmara.

O deputado também criticou o sigilo de 100 anos adotado pelo Executivo. Para ele, a transparência deve ser aplicada a todos os Poderes.

"Não podemos ter o Executivo com sigilo de 100 anos. Não vamos admitir que seja exigido apenas para nós", disse.

Sobre a regulação das redes sociais, Motta minimizou e afirmou que a Câmara pode decidir se prioriza o tema. Quanto à inteligência artificial, ele foi mais enfático, defendendo a necessidade de avançar nas discussões sobre a pauta, destacada pelo ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

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