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Câmara dos Deputados vai votar PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penal

O acordo foi decidido durante reunião de líderes com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Ricardo Lélis

04 de março de 2026 às 17:26   - Atualizado às 17:27

Saída temporária permite que presos do semiaberto deixem o presídio por período determinado.

Saída temporária permite que presos do semiaberto deixem o presídio por período determinado. Foto: Freepik

A Câmara dos Deputados vai votar nesta quarta-feira, 4 de março, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública sem o trecho que abre brecha para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos.

O acordo foi decidido durante reunião de líderes com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta tarde. Com isso, a proposta vai pular a etapa de apreciação em comissão especial, prevista anteriormente para esta manhã.

O trecho para ampliar a punição a crimes feitos por menores de idade não constava no texto original da PEC, e foi incluso pelo relator da matéria na Câmara, o deputado Mendonça Filho (União-PE). O tema é rechaçado pela esquerda no parlamento e pelo Palácio do Planalto.

"A decisão da Presidência é avocar a PEC direto em plenário, para que ela possa ser deliberada no dia de hoje. Acertamos com o relator que o ponto inerente à discussão sobre o referendo da redução da maioridade penal, que o relator contemplava em seu relatório, será tratada em uma matéria à parte", declarou Motta em coletiva de imprensa na Câmara.

O tema da redução da maioridade penal deve ser tratada em outra PEC, que terá uma comissão dedicada constituída pela presidência da Câmara. O presidente da comissão especial, Aluisio Mendes (Republicanos-MA), e o relator, Mendonça Filho, devem ocupar as mesmas funções no novo colegiado.

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O movimento foi feito para facilitar a aprovação da PEC, uma vez que os governistas resistiam em deixar que a proposta fosse levada desse jeito ao plenário.

"Pelo bom funcionamento da Casa e para que possamos avançar de fato com a reestruturação do sistema de segurança pública no País, nós iremos tratar de forma apartada os pontos estruturantes da PEC da Segurança e a questão da redução da maioridade penal", disse Motta.

A decisão de Mendonça Filho de retirar a questão da maioridade penal do texto vem após pressão de Motta, da situação e do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Partidos de esquerda e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) vinham apelando para que o relator deixasse o tema de lado. Em reunião com as bancadas de PT, PSOL, PCdoB e Rede na tarde da terça, Mendonça Filho prometeu "refletir" sobre a retirada até esta manhã.

A PEC deveria ter sido apreciada e votada em comissão especial nesta manhã, mas impasses em relação ao conteúdo do texto levaram Mendonça Filho a cancelar a sessão. O relator foi chamado para debater a proposta na residência oficial da presidência da Câmara.

Entre os nós a serem desatados, estão reivindicações de polícias estaduais e Guardas Civis Municipais. Já a esquerda reclama de alterações no escopo do projeto original, em especial a inclusão da redução da maioridade penal.

Idealizada pelo ex-ministro da Segurança Ricardo Lewandowski, a PEC era tratada como a principal aposta da gestão Lula na área, em que o governo tem sido mal avaliado pelos eleitores .

A versão original ampliava as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), rebatizada como Polícia Viária Federal, e da Polícia Federal no combate ao crime e incluía na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e os fundos nacionais de financiamento do setor.

Em dezembro, Mendonça apresentou seu relatório com mudanças drásticas em relação à versão original e uma espécie de mistura do projeto de lei antifacção, então em tramitação no Senado.

O texto do deputado previa reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, endurecer as penas de faccionados e blindagem dos Estados contra a influência da União para direcionar políticas públicas - na contramão da proposição de Lewandowski.

Estadão Conteúdo

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