Fernando Haddad com Máscara de Lula Foto: Divulgação
O Brasil segue com o segundo maior juro real do mundo após o Banco Central (BC) anunciar a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, decisão divulgada nesta quarta-feira (30). Segundo levantamento da consultora econômica MoneYou, o país registra um juro real de 9,76%, ficando atrás apenas da Turquia, que possui taxa de 10,88%. Para entender o peso desse indicador, é preciso analisar o que são os juros reais e como eles influenciam a economia brasileira.
Os juros reais são calculados subtraindo a inflação esperada da taxa nominal de juros, ou seja, da Selic, que é o principal instrumento de política monetária do Brasil. Esse índice é considerado mais relevante que a taxa bruta, pois representa o custo efetivo do dinheiro descontando a inflação, impactando diretamente o crédito, os investimentos e o poder de compra do consumidor. “A manutenção do juro real em patamares elevados dificulta o acesso ao crédito e freia o crescimento econômico, mas serve como ferramenta para controlar a inflação”, explica o economista Carlos Mendes.
Esse cenário de juros reais elevados não é exclusivo do Brasil, mas o coloca em posição de destaque mundial, principalmente em comparação com outras economias emergentes e desenvolvidas. A alta taxa real brasileira está atrelada à necessidade de conter pressões inflacionárias persistentes e à instabilidade política e fiscal do país, que elevam o risco para investidores e, consequentemente, o custo do dinheiro.
O efeito dos juros reais altos pode ser sentido em diversos setores da economia. Para as empresas, o custo mais elevado para financiar projetos reduz investimentos e gera um ambiente de incerteza. Para os consumidores, o crédito mais caro restringe o consumo e aumenta as dificuldades financeiras, especialmente para as camadas mais vulneráveis da população. “O brasileiro paga mais caro em empréstimos e financiamentos por causa dessa taxa real alta, o que limita seu poder de compra e o acesso a bens e serviços”, destaca a analista econômica Mariana Souza.
Apesar de as autoridades monetárias apostarem na manutenção dos juros reais para controlar a inflação, o desafio está em equilibrar o combate à alta dos preços sem prejudicar o crescimento econômico e a geração de empregos. Especialistas apontam que uma redução gradual dos juros reais dependerá do controle efetivo da inflação e de melhorias no ambiente político e fiscal do país.
Com o Brasil mantendo o segundo maior juro real do mundo, fica claro que o indicador continuará sendo um dos principais termômetros da saúde econômica nacional e um fator decisivo para o cotidiano dos brasileiros.
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