Plataforma que a Jeep irá usar em seus híbridos Foto: Stellantis/Divulgação
O cenário da eletrificação automotiva no mercado brasileiro ganha um novo e importante direcionamento estratégico com a confirmação de novos planos industriais por parte do maior conglomerado automotivo do país.
Disposta a acelerar o processo de transição energética de suas marcas de volume, a Stellantis confirmou que vai incorporar a tecnologia chinesa de propulsão elétrica com extensor de autonomia em suas futuras linhas de montagem locais.
O sistema batizado originalmente de REEV, desenvolvido pela fabricante asiática Leapmotor, será adaptado de forma inédita para trabalhar em conjunto com os motores flex nacionais, criando uma nova alternativa de alta eficiência energética dentro do portfólio de produtos produzidos no território nacional.
A confirmação da nova tecnologia foi feita diretamente pelo presidente da empresa no Brasil, Herlander Zola, detalhando que os estudos de clínica feitos com consumidores locais apontaram uma excelente aceitação para esse formato de motorização eletrificada.
Embora o executivo não tenha revelado os modelos exatos ou as datas precisas de estreia das novidades, ficou estabelecido que o sistema chinês atuará de forma integrada com as famílias de motores amplamente conhecidas no país, englobando as linhas Firefly, GSE Turbo (1.0 e 1.3) e até mesmo o recente propulsor 2.0 Hurricane.
Os veículos equipados com o REEV atuam na prática como carros totalmente elétricos com tração exclusiva nas rodas por meio de baterias, mas utilizam o motor a combustão apenas como um gerador interno para recarregar as células de energia, eliminando a dependência extrema de carregadores rápidos de tomada nas rodovias.
A engenharia do grupo trabalha em ritmo acelerado para viabilizar as metas estipuladas e estuda diferentes formatos industriais para rentabilizar a operação.
Entre as alternativas avaliadas para o mercado nacional está a montagem de veículos da própria Leapmotor em solo brasileiro por meio dos sistemas SKD (semi-desmontado) ou CKD (completamente desmontado).
A fabricante já havia anunciado que os modelos B10 e C10 terão produção concentrada no polo automotivo de Goiana, em Pernambuco, mas o faturamento também poderá lançar mão das instalações white-label da Nordex, no Uruguai, planta na qual a Stellantis detém o controle majoritário das ações e que serve como base logística complementar para a América do Sul.
Além do avanço com a Leapmotor, a holding automotiva promove uma profunda revisão no posicionamento de mercado de suas marcas de origem francesa em solo brasileiro.
De acordo com as diretrizes indicadas pela presidência corporativa, a Peugeot passará a atuar de forma focada como uma marca de nicho, sendo posicionada estrategicamente um degrau acima da Fiat no portfólio do grupo.
Para sustentar os futuros lançamentos tanto da Peugeot quanto da Citroën, a Stellantis deve recorrer a parcerias pontuais com outra gigante chinesa, a Dongfeng, que mantém cooperação histórica com as marcas europeias e possui bases tecnológicas globais que incluem projetos de novos utilitários compactos, SUVs de médio porte e picapes estruturadas.
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