Motos elétricas vendidas no Brasil. Imagem criada com auxilio de IA.
O debate sobre a viabilidade e a velocidade de adoção das motocicletas elétricas no cenário nacional ganhou novos contornos com a consolidação de diferentes propostas de mobilidade urbana nas grandes capitais.
Embora o mercado automotivo de quatro rodas registre um crescimento expressivo na venda de modelos eletrificados, o universo das duas rodas movidas a bateria segue um ritmo particular, fortemente atrelado ao uso comercial e corporativo.
A pergunta que ecoa entre especialistas e consumidores se concentra na capacidade real dessa tecnologia de romper a barreira do nicho profissional para se transformar em uma escolha de massa para o motociclista comum.
A realidade atual do varejo aponta que as motocicletas elétricas já começaram a se consolidar de forma consistente, mas o formato de maior sucesso ocorre por meio de frotas corporativas e plataformas de locação por assinatura voltadas para entregadores de aplicativos.
A startup Mottu, por exemplo, que se tornou um fenômeno de emplacamentos no país com modelos a combustão, monitora atentamente esse mercado e testa a introdução de unidades elétricas em sua frota de locação urbana.
Para quem roda mais de cem quilômetros por dia trabalhando nas ruas, o custo por quilômetro rodado da energia elétrica em comparação com a gasolina é imbatível, compensando o investimento inicial da operação em poucos meses de rodagem severa.
Para o consumidor comum que deseja adquirir um modelo próprio para o deslocamento diário, o mercado nacional já oferece opções homologadas com produção local e importados premium.
A Watts Mobility, marca controlada pelo grupo brasileiro Multi, opera uma linha de montagem no Polo Industrial de Manaus e comercializa a moto elétrica Watts W125, de proposta urbana, com preço público sugerido na faixa de R$19.990,00.
Já no segmento de altíssimo padrão, a alemã BMW Motorrad vende oficialmente nas concessionárias brasileiras o scooter elétrico CE 04, que traz visual futurista e alta performance, com preço de tabela fixado em R$99.900,00, evidenciando a enorme amplitude de valores do setor.
A transição em massa para o cliente comum ainda esbarra em obstáculos estruturais complexos, como a falta de uma rede capilarizada de pontos de recarga rápida nas vias públicas, gerando a chamada ansiedade de autonomia.
Para contornar essa limitação de tempo, startups focadas em logística apostam no sistema de estações de troca rápida de baterias (battery swapping), onde o condutor substitui a célula descarregada por uma cheia em menos de dois minutos.
Olhando para o futuro, a Honda, líder absoluta do mercado nacional de duas rodas, desenvolve sua estratégia global de eletrificação com modelos urbanos de baixa cilindrada para os próximos anos, sinalizando que a consolidação definitiva do mercado brasileiro dependerá do avanço da infraestrutura urbana e do barateamento dos componentes.
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