fabrica da JLR(Jaguar LandRover) no Rio de Janeiro. Foto: JLR/Divulgação
O cenário industrial automotivo fluminense está prestes a passar por uma reconfiguração profunda. A unidade fabril localizada no município de Itatiaia, no sul do estado do Rio de Janeiro, vive momentos de transição nos bastidores estratégicos.
As linhas de montagem dedicadas aos utilitários esportivos premium de origem britânica estão finalizando os últimos lotes programados para o mercado nacional, abrindo caminho para que um grande conglomerado automotivo chinês assuma o controle total da infraestrutura industrial nas próximas semanas.
A rotina na fábrica fluminense aponta para o encerramento das atividades de montagem dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque até meados do próximo mês. As unidades remanescentes já estão em fase final de preparação para serem distribuídas à rede de concessionárias autorizadas do país.
O complexo industrial, que gera atualmente centenas de postos de trabalho diretos na região automotiva do sul do estado, mantém seus funcionários em programas de especialização enquanto os detalhes contratuais da venda dos ativos são devidamente equacionados pelas diretorias executivas envolvidas.
A transição ganhou forte tração após reuniões estratégicas entre representantes da fabricante asiática e as administrações públicas municipais e estaduais. As tratativas envolvem pedidos formais para a adesão a pacotes robustos de incentivos fiscais e benefícios econômicos locais, fundamentais para garantir a viabilidade financeira da operação de compra.
O andamento do projeto avança em ritmo acelerado junto aos órgãos governamentais fluminenses e à Assembleia Legislativa, restando apenas o alinhamento definitivo de complexas questões de tributação interestadual para a assinatura do termo de compromisso definitivo.
A infraestrutura existente precisará passar por uma expansão física severa para atender aos planos ambiciosos da nova proprietária. Atualmente, a planta opera de forma limitada, recebendo as carrocerias já soldadas e pintadas do exterior apenas para a finalização dos componentes mecânicos.
O objetivo estratégico da corporação asiática é converter a unidade para o sistema de manufatura completa, onde todos os processos de armação e pintura das chapas metálicas serão realizados localmente.
Esse investimento visa viabilizar a nacionalização de um inédito utilitário esportivo compacto de entrada equipado com motorização turboflex híbrida, projetado para competir em uma faixa de preço altamente disputada no varejo nacional.
Além do modelo compacto inicial, a planta industrial projeta abrigar linhas de montagem de outras marcas pertencentes ao mesmo grupo empresarial, com foco em tecnologias eletrificadas. A meta estabelecida prevê um salto expressivo na capacidade produtiva do complexo para atingir o patamar de aproximadamente cem mil veículos produzidos anualmente a partir da segunda metade do próximo ano.
Essa escala industrial massiva terá como foco principal o abastecimento consolidado do mercado interno brasileiro e o início de um fluxo regular de exportações de veículos para os países vizinhos da América do Sul.
Um fator que facilitou a aproximação das duas marcas é o estreito relacionamento que ambas mantêm no mercado global. No continente asiático, as empresas operam em parceria de longa data, sendo o grupo chinês o responsável direto pela fabricação local dos utilitários esportivos britânicos.
Essa sinergia de engenharia abre as portas para uma solução inovadora em solo brasileiro, onde a nova dona da fábrica poderia ser contratada para seguir montando os modelos de luxo sob demanda, mantendo a oferta nacional ativa sem a necessidade de manter uma estrutura industrial própria no país.
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