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Melatonina aumenta risco cardíaco? Novo estudo alerta para perigos inesperados do suplemento

Recentes pesquisas revelam que o uso prolongado de melatonina pode elevar as chances de insuficiência cardíaca em adultos entenda os impactos ao coração e os cuidados recomendados.

Joice Gomes

02 de dezembro de 2025 às 16:20

O uso de melatonina pode elevar risco de insuficiência cardíaca.

O uso de melatonina pode elevar risco de insuficiência cardíaca. Imagem de jcomp no Freepik

A melatonina, que se tornou uma das alternativas mais procuradas para quem sofre de insônia ou dificuldade para dormir, é vendida em farmácias sem a necessidade de prescrição e costuma ser associada à ideia de ser natural e segura. No entanto, novos estudos revelam riscos que jamais estiveram tão em evidência: o uso prolongado do suplemento aumenta significativamente as chances de desenvolver problemas cardíacos como insuficiência e arritmias.

Melatonina sob o olhar científico

O alerta surgiu de uma ampla pesquisa conduzida pela American Heart Association, envolvendo mais de 130 mil adultos acompanhados ao longo de cinco anos. Os resultados indicam que pessoas que usaram melatonina por 12 meses ou mais tiveram risco 90% superior de insuficiência cardíaca em relação ao grupo controle. Mais ainda: houve uma triplicação nas hospitalizações decorrentes do quadro e o dobro de mortes por qualquer causa entre usuários crônicos do suplemento para sono.

Entenda os mecanismos e sintomas

Segundo especialistas, os riscos estão relacionados à ação da melatonina no coração e à interferência nos canais de cálcio e potássio, podendo reduzir a frequência dos batimentos e alterar a força de contração cardíaca. O desequilíbrio causado pelo excesso do hormônio pode piorar quadros de hipertensão, desencadear arritmias e favorecer retenção de líquidos, sobretudo em pessoas predispostas.

Principais sintomas relatados:

  • Tontura e sonolência excessiva.
  • Dores de cabeça, náusea e fadiga diurna.
  • Pressão baixa ou irregularidade nos batimentos cardíacos.
  • Confusão, irritabilidade e até depressão leve.

Especialistas pedem cautela

Apesar dos dados preocupantes, pesquisadores ressaltam que o estudo não comprova uma relação direta de causa e efeito, mas sim uma associação que merece atenção. Há também a hipótese de que quadros de insônia crônica e fatores de saúde mental possam influenciar os resultados. Ainda assim, os números são sólidos o suficiente para motivar novas investigações e revisão sobre o uso livre do suplemento.

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Marie-Pierre St-Onge, diretora do Centro de Excelência para Pesquisa do Sono da Columbia University, recomenda que pessoas com dificuldade de sono busquem diagnóstico médico antes de optar por qualquer suplementação. Ela reforça: “A melatonina não deve ser usada cronicamente sem indicação adequada. Converse com seu médico sobre alternativas seguras e tratamentos individualizados”.

O que mostra a literatura científica

Embora parte dos estudos antigos apontem benefícios cardiovasculares do uso moderado e breve da melatonina, incluindo atuação antioxidante, os resultados recentes alertam para efeitos inversos quando há uso prolongado ou em dosagens altas. Isso coloca o suplemento no centro das discussões sobre segurança no mercado de produtos naturais, exigindo mais rigor e acompanhamento na prescrição.

Reação no mercado e entre consumidores

Com o crescimento das vendas e popularização da melatonina, farmacêuticos e médicos relatam aumento na busca por informações mais claras sobre riscos e usos corretos. Profissionais orientam:

  • Evitar automedicação e ciclos prolongados sem supervisão.
  • Atenção redobrada para idosos e pessoas com histórico de problemas cardiovasculares.
  • Informar ao médico todos os suplementos em uso, evitando interações perigosas.

O que pode mudar daqui para frente?

A expectativa é de que agências reguladoras revisem orientações sobre a venda e o uso da melatonina, podendo exigir controle maior sobre dosagem e consultas periódicas para pacientes de risco. Famílias devem reforçar a atenção com idosos e crianças, grupos mais vulneráveis aos efeitos colaterais.

Alternativas seguras para o sono

Diante dos riscos apresentados, especialistas sugerem algumas atitudes para melhorar a qualidade do sono sem recorrer diretamente a suplementação:

  • Investir na higiene do sono: ambiente silencioso, iluminação baixa e ausência de telas antes de dormir.
  • Praticar atividade física regular, preferencialmente durante o dia.
  • Buscar apoio médico para tratar possíveis causas de insônia, como ansiedade, depressão ou distúrbios hormonais.
  • Optar por técnicas de relaxamento, meditação ou terapia comportamental.

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