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Jovem baiana com leucemia morre enquanto aguardava remédio no SUS

O caso motivou a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) a acionar o Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

20 de julho de 2026 às 17:48   - Atualizado às 18:08

Jovem baiana com leucemia morre enquanto aguardava remédio no SUS

Jovem baiana com leucemia morre enquanto aguardava remédio no SUS Foto: Reprodução/Redes sociais

A luta contra a leucemia terminou de forma trágica para a baiana Larissa Amorim, de 29 anos. Mesmo após conseguir uma decisão da Justiça determinando o fornecimento imediato de um medicamento de alto custo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela morreu sem receber o tratamento indicado pelos médicos.

Moradora de São Paulo durante parte do tratamento, Larissa enfrentava a doença desde a infância e deixou dois filhos. A liminar favorável foi concedida em março, mas, passados 59 dias, o remédio ainda não havia sido disponibilizado. Em maio, ela morreu em decorrência de complicações provocadas pela doença.

Jovem baiana com leucemia morre enquanto aguardava remédio no SUS

O caso motivou a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) a acionar o Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A entidade pede investigação sobre possíveis falhas estruturais na incorporação e distribuição de medicamentos oncológicos já reconhecidos como eficazes pelo próprio sistema público de saúde.

Larissa foi diagnosticada com leucemia mieloide crônica aos seis anos de idade. Após mais de duas décadas de controle da doença, o quadro evoluiu para uma forma agressiva de leucemia linfoblástica aguda, exigindo um transplante de medula óssea. Antes do procedimento, porém, os médicos indicaram uma imunoterapia com os medicamentos blinatumomabe e ponatinibe, considerados essenciais para controlar o avanço da doença.

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Como os remédios não estavam disponíveis na rede pública, a família recorreu à Justiça. Em segunda instância, a União foi obrigada a fornecer a medicação imediatamente. Apesar da decisão judicial, o tratamento nunca chegou.

Enquanto aguardava o cumprimento da ordem, Larissa precisou continuar realizando sessões de quimioterapia. Com o sistema imunológico comprometido, ela desenvolveu uma infecção grave e não resistiu.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que adotou medidas para cumprir a determinação judicial, mas alegou indisponibilidade imediata do medicamento e afirmou ter solicitado autorização para realizar depósito judicial destinado à compra do remédio.

Segundo a pasta, o blinatumomabe foi incorporado ao SUS para indicações específicas, entendimento que diverge da decisão judicial, que reconheceu a necessidade do medicamento para o quadro clínico apresentado pela paciente.

Especialistas explicam que, mesmo após a incorporação de um medicamento ao SUS, a oferta aos pacientes pode levar meses. Isso ocorre porque ainda são necessárias etapas como atualização dos protocolos clínicos, definição da responsabilidade pela compra e organização da distribuição entre União, estados e municípios. Em alguns casos, esse processo pode ultrapassar o prazo previsto e atrasar o início de tratamentos considerados urgentes.

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