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Consumo de álcool cai e abstinência atinge 64% dos brasileiros, aponta estudo

A redução não aparece apenas no número de pessoas que deixaram de beber, mas também no ritmo de consumo entre quem ainda ingerem.

Isabella Lopes

13 de novembro de 2025 às 15:22   - Atualizado às 15:23

Pessoa bebendo cerveja.

Pessoa bebendo cerveja. Foto: Freepik.

O hábito de beber vem mudando entre os brasileiros. A pesquisa realizada pelo Ipsos-Ipec, a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), mostra que mais pessoas deixaram de consumir bebidas alcoólicas em 2025.

O levantamento integra a sétima edição da publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025 e revela um cenário marcado por maior abstinência, especialmente entre jovens.

O estudo indica que 64% da população afirmou não beber neste ano. Esse número supera o registrado em 2023, quando 55% declararam não consumir álcool.

A mudança aparece com força entre pessoas de 18 a 24 anos, em que a taxa de abstinência subiu de 46% para 64%. Entre adultos de 25 a 34 anos, o índice passou de 47% para 61%. O crescimento também se destacou entre indivíduos com ensino superior, moradores do Sudeste e pessoas das classes A/B.

A redução não aparece apenas no número de pessoas que deixaram de beber, mas também no ritmo de consumo entre quem ainda ingere álcool. A frequência caiu seis pontos percentuais entre aqueles que costumam beber uma vez por semana ou a cada quinze dias. Entre os bebedores, 39% afirmam consumir de uma a duas doses por ocasião.

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Como a pesquisa foi feita

A pesquisa ouviu 1.981 pessoas em todo o país, no mês de setembro de 2025. Homens e mulheres com 18 anos ou mais participaram das entrevistas domiciliares, realizadas em dias úteis e fins de semana. O levantamento contou com margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. Os dados foram ponderados para representar a população adulta brasileira.

Mesmo com o avanço da abstinência, o consumo abusivo continua a acender alertas. Entre os bebedores que apresentam padrão pesado, 82% acreditam beber de maneira moderada, enquanto apenas 9% reconhecem exagero.

Para o psiquiatra e presidente do CISA, Arthur Guerra, muitas pessoas fazem uma leitura equivocada do próprio comportamento. Ele explica que não sentir os efeitos do álcool após altas doses não significa proteção. Para o especialista, quando alguém precisa aumentar a quantidade ingerida para sentir os mesmos efeitos, há um sinal claro de risco.

Os dados também mostram quais grupos apresentam maior prevalência de consumo pesado, definido como sete doses ou mais por ocasião. O comportamento aparece com mais intensidade entre homens, pessoas de 25 a 44 anos, indivíduos com ensino médio e moradores das regiões Norte e Centro-Oeste.

A publicação reúne ainda informações sobre mortalidade e internações relacionadas ao uso nocivo de álcool, com base em dados do Datasus. Em 2023, o Brasil registrou 73.019 mortes atribuídas ao consumo de álcool, o que representa crescimento de 10,2% em relação a 2010.

No mesmo recorte, 15 estados ficaram acima do índice nacional. O levantamento aponta, ainda, 418.467 hospitalizações por causas relacionadas ao álcool em 2024, um aumento de 24,2% desde 2010.

Para a socióloga e coordenadora do CISA, Mariana Thibes, os números reforçam que os jovens brasileiros estão bebendo menos. Ela destaca que o consumo abusivo entre pessoas de 18 a 24 anos caiu de 20% para 13% em dois anos e que, entre os que bebem, a maioria consome uma ou duas doses por ocasião.

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