Escola de samba é alvo de intolerância religiosa após divulgar enredo de desfile para Carnaval 2026 Foto: Divulgação / Salgueiro
O anúncio do enredo “Laroyê Xica da Silva: a história por trás da história” colocou os Acadêmicos do Salgueiro no centro de uma série de ataques de intolerância religiosa nas redes sociais.
A polêmica começou logo após a divulgação do tema para o próximo desfile na Marquês de Sapucaí, que associa a célebre personagem histórica a uma pomba-gira, entidade das religiões de matriz africana.
Ao se deparar com comentários preconceituosos de internautas na postagem do vídeo de divulgação, como um que dizia abertamente "lá vem macumba de novo", o perfil oficial da agremiação tijucana rebateu de forma enfática: “Meu terreiro é a casa da mandinga. Se não está feliz é só ir embora”.
O novo projeto da Academia do Samba é inteiramente baseado na obra do pesquisador e enredista Leonardo Antan, que descreveu como uma verdadeira "missão de vida" atuar como médium dessa entidade e poder contar essa narrativa no Sambódromo.
Apesar dos ataques virtuais promovidos por alguns usuários, a escolha do tema recebeu amplo apoio e foi celebrada no meio artístico. A rainha de bateria da escola, Viviane Araújo, e a atriz Taís Araujo, que marcou a televisão brasileira ao dar vida a Xica da Silva, usaram as plataformas digitais para demonstrar grande entusiasmo e apoio total à decisão da escola.
A proposta assinada pelo carnavalesco Jorge Silveira busca romper com os preconceitos e estereótipos que cercam a imagem de Francisca da Silva Oliveira, a "Imperatriz do Tijuco", apresentando ao público a mulher real por trás do mito.
Essa abordagem biográfica ganhou força após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais revelar publicamente o testamento oficial de Xica da Silva, um documento histórico que serviu de base para a pesquisa de mestrado de Antan e que promete trazer à tona novas informações sobre a sua trajetória.
Além do resgate histórico, o enredo carrega um valor afetivo gigante para a comunidade do Salgueiro. Foi justamente com um desfile dedicado a Xica da Silva, no ano de 1963, que a escola conquistou o seu segundo título no carnaval carioca, marcando o primeiro campeonato que a agremiação faturou de maneira isolada. Com a nova aposta, a vermelha e branca espera abrir debates importantes sobre respeito e ancestralidade na avenida.
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A pregadora ministra durante a programação da tarde do tradicional evento, considerado um dos maiores encontros femininos evangélicos de Pernambuco.
Celebração contará ainda com 18 missas, liturgia de troca da coroa da imagem e shows culturais no Pátio do Carmo.
A proposta reúne uma paleta de cores cuidadosamente pensada para harmonizar com a veste, além de elementos florais como lírios, rosas, orquídeas e cravos.
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