Em carta enviada a parlamentares em 26 de junho de 2026, o Conselho Permanente da entidade defendeu que a redução da maioridade penal não resolve as causas da violência.
16 de outubro de 2026 às 07:33 - Atualizado às 07:38
Em Nota, CNBB diz que redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas para a segurança. Foto: Divulgação
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se posicionou contra a redução da maioridade penal após o tema voltar ao debate público nesta quarta-feira, 14 de outubro, com a proposta de alterar a Constituição Federal por meio da PEC da Segurança Pública (Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025). A mudança prevê reduzir a idade penal para 16 anos como regra geral e para 14 anos em determinadas hipóteses.
Em carta enviada a parlamentares em 26 de junho de 2026, o Conselho Permanente da entidade defendeu que a redução da maioridade penal não resolve as causas da violência e pode comprometer a recuperação e a reintegração social dos adolescentes.
“A redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública”, afirma o documento.
Na manifestação, os bispos argumentam que o Brasil já possui mecanismos legais para responsabilizar adolescentes por atos infracionais, por meio das medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).
Para a entidade, um dos principais desafios está na implementação dessas medidas e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude.
A carta também aponta que o encarceramento precoce pode ampliar ciclos de violência e exclusão, dificultando a ressocialização dos adolescentes. O documento menciona fatores como pobreza, exclusão educacional, problemas familiares, dependência química e aliciamento pelo crime organizado.
O Conselho Permanente da CNBB pediu que o Congresso Nacional priorize ações voltadas à prevenção da violência, incluindo educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção de crianças e adolescentes e ampliação das oportunidades para os jovens.
“O Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes”, destaca o texto.
O documento foi assinado pelo cardeal dom Jaime Spengler, presidente da CNBB; por dom João Justino de Medeiros Silva, primeiro vice-presidente; por dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, segundo vice-presidente; e por dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da entidade.
Dom Paulo Jackson é arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, em Pernambuco.
Na carta, os representantes da CNBB também defenderam que a responsabilização de adolescentes considere a possibilidade de recuperação e reintegração social, com medidas que contribuam para enfrentar as condições associadas à violência.
Ao final do documento, os bispos apelaram aos parlamentares para que priorizem políticas públicas de prevenção e proteção da juventude, em vez de ampliar o encarceramento de adolescentes.
Brasília – DF, 26 de junho de 2026
Aos
PARLAMENTARES
Ref.: Redução da maioridade penal.
Senhoras e Senhores Parlamentares,
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, fiel à missão evangelizadora da Igreja, dirige-se respeitosamente a Vossas Excelências diante das discussões e iniciativas legislativas que visam reduzir a maioridade penal em nosso país.
A CNBB reafirma sua posição contrária à redução da maioridade penal. Essa convicção nasce da defesa da dignidade da pessoa humana, especialmente dos adolescentes, que se encontram em processo de desenvolvimento e devem ser responsabilizados por seus atos sem serem privados da possibilidade de recuperação e reintegração social.
O ordenamento jurídico brasileiro já prevê mecanismos de responsabilização para adolescentes por meio das medidas socioeducativas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. O desafio não está na ausência de instrumentos legais, mas na fragilidade de sua implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude.
O simples endurecimento das penas não reduz a violência. Adolescentes envolvidos em atos infracionais são também vítimas da pobreza, da exclusão educacional, da desestruturação familiar, da dependência química e do aliciamento pelo crime organizado. Inseri-los precocemente no sistema prisional tende a ampliar ciclos de violência e exclusão, comprometendo sua ressocialização.
Por isso, apelamos ao Congresso Nacional para que priorize políticas públicas capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas.
A redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública. O Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes.
Confiando à intercessão de Nossa Senhora Aparecida os trabalhos desta Casa Legislativa e o futuro da juventude brasileira, renovamos nossa estima e nossas orações por todos os que exercem o nobre serviço da representação popular.
Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS
Presidente da CNBB
Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO
1º Vice-Presidente da CNBB
Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
2º Vice-Presidente da CNBB
Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF
Secretário-Geral da CNBB
08:34, 16 Out
27
°c
Fonte: OpenWeather
Conhecida como Dona Lurdinha, fiel repete o percurso há 24 anos e transforma a caminhada em agradecimento e oração.
O tecido examinado durante a operação confirmou o diagnóstico de "adenocarcinoma pulmonar", uma das formas de câncer de pulmão mais comuns que acometem não fumantes.
Celebração reconhece tradição religiosa na capital pernambucana, que abriga um dos mais antigos templos dedicados à santa.
mais notícias
+