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Paixão de Cristo do Recife é cancelada pela primeira vez em 28 anos por falta de verba

Criada em 1997, a encenação consolidou-se como um dos principais espetáculos religiosos da capital pernambucana, integrando o calendário oficial da Semana Santa

Ricardo Lélis

26 de fevereiro de 2026 às 08:08   - Atualizado às 08:08

Paixão de Cristo em Recife.

Paixão de Cristo em Recife. (Foto: Divulgação)

Pela primeira vez em 28 anos, a Paixão de Cristo do Recife não será apresentada. A 28ª edição do tradicional espetáculo, que ocorre no Marco Zero e é realizado pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), está cancelada em 2026.

A decisão foi motivada pela insuficiência de recursos financeiros, que, segundo a produção, já não garantem os padrões de qualidade técnica exigidos pelo evento.

Em contato com o Diario de Pernambuco, o produtor e presidente da Apacepe, Paulo de Castro, comentou sobre a situação.

“Nós percebemos que estávamos perdendo qualidade, somado às dificuldades financeiras que a gente sempre enfrenta”.

Ele acrescentou que o cronograma ficou inviável com o carnaval mais cedo, impossibilitando as mudanças planejadas para a produção.

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“Tivemos dificuldades sérias, principalmente com os figurinos, que estavam em péssimas condições”, disse.

O cancelamento da edição de 2026 marca a primeira interrupção desde a criação do espetáculo em 1997. Mesmo durante a pandemia, não deixou de ser apresentado.

"Nós fizemos todos os anos, sem exceção. Inclusive, a pandemia começou depois da nossa apresentação", recordou.

Histórico da Paixão

Criada em 1997, a Paixão de Cristo do Recife consolidou-se como um dos principais espetáculos religiosos da capital pernambucana, integrando o calendário oficial da Semana Santa e atraindo milhares de espectadores ao bairro do Recife Antigo.

Com encenação a céu aberto no Marco Zero, o evento ganhou destaque pela grandiosidade do palco montado às margens do porto, pelo elenco formado por atores locais e convidados, além de figurinos e cenários que buscavam recriar a Jerusalém bíblica.

Ao longo de quase três décadas, a montagem tornou-se referência cultural na cidade, movimentando a cadeia produtiva das artes cênicas e o turismo no período pascal.

Diferentemente do tradicional espetáculo realizado no município de Nova Jerusalém, no Agreste pernambucano, a versão recifense se caracteriza pelo acesso gratuito e pela ambientação urbana, tendo o cenário histórico do Recife Antigo como pano de fundo.

Desde a pandemia de Covid-19, quando diversos eventos culturais foram suspensos em todo o país, vinha enfrentando desafios financeiros e estruturais que culminaram na decisão de interromper a realização em 2026.

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