Policiais são presos por matar e torturar jovem em Gravatá em 2024 Foto: Divulgação/Reprodução
A Justiça de Pernambuco determinou a prisão preventiva de três policiais militares denunciados pela morte de Renato Lourenço da Silva Nascimento, de 22 anos, ocorrida em Gravatá, no Agreste do Estado.
A decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) foi tomada por unanimidade após recurso apresentado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). A informação foi divulgada pelo Jornal do Commercio, em julho de 2026.
Os militares presos são o 2º sargento Rogério Cristovão de Arruda, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), o 3º sargento Marcos Fernandes Barros Filho e o cabo David Raniere de Albuquerque, ambos vinculados à 5ª Companhia Independente da Polícia Militar.
Os três foram levados para o Centro de Reeducação da Polícia Militar (Creed), localizado em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife.
O caso aconteceu em 29 de janeiro de 2024. Renato foi abordado por policiais naquela noite e posteriormente levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Gravatá. Segundo os registros do caso, ele chegou à unidade já sem vida.
Inicialmente, a ocorrência foi apresentada como uma fuga seguida de afogamento. A versão, contudo, passou a ser contestada após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo MPPE.
Conforme a denúncia, Renato teria permanecido algemado durante toda a abordagem e sofrido agressões enquanto os policiais buscavam informações sobre drogas e possíveis integrantes do tráfico.
Ainda segundo a acusação, as agressões teriam continuado no Bosque dos Universitários, área situada às margens do Rio Ipojuca. O MPPE sustenta que o jovem foi submetido a repetidos episódios de afogamento como forma de tortura e morreu em decorrência de asfixia.
Exames periciais encontraram lesões consideradas compatíveis com o uso de algemas, além de outros ferimentos que, segundo os investigadores, não seriam condizentes com a narrativa apresentada inicialmente pelos policiais.
Ao pedir a prisão preventiva, o Ministério Público argumentou que a permanência dos acusados em liberdade poderia comprometer a produção de provas e a instrução do processo. O órgão também mencionou relatos de medo de represálias.
Outro ponto apresentado foi a informação de que uma médica legista teria sido procurada por um homem que se identificou como delegado e que teria tentado interferir na elaboração do laudo pericial.
No julgamento, o desembargador Demócrito Reinaldo Filho, responsável pelo voto vencedor, considerou que a gravidade das acusações, somada ao risco de interferência na produção das provas, justificava a manutenção dos três policiais em prisão preventiva.
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