Prefeitura e defesa apresentam versões diferentes sobre o atendimento às vítimas, enquanto o caso segue sob investigação e acompanhamento da rede de proteção.
12 de agosto de 2026 às 10:25 - Atualizado às 11:05
Delegacia da Mulher no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife Foto: Reprodução
Os estudantes apontados como suspeitos de envolvimento em denúncias de estupro coletivo contra duas adolescentes de 14 anos foram suspensos por tempo indeterminado de uma escola municipal do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. A medida foi confirmada pela Secretaria Municipal de Educação.
Segundo a prefeitura, os adolescentes estão afastados da unidade desde a semana passada. A Polícia Civil investiga as denúncias sob sigilo, enquanto o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) acompanha o caso.
A advogada Luanny Porto, que representa as adolescentes, disse ao g1 que cinco estudantes do 9º ano são apontados como envolvidos nos episódios, ocorridos em datas diferentes durante o intervalo escolar.
O município afirma que as vítimas já passaram por um primeiro atendimento psicológico, realizado por profissionais do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e de um projeto ligado à Secretaria de Educação.
A prefeitura também informou que as adolescentes foram transferidas para outras escolas e que elas e as mães terão acompanhamento terapêutico.
A defesa, porém, apresenta outra versão. Luanny Porto afirma que as estudantes ainda não começaram o acompanhamento psicológico e continuam fora das aulas porque a transferência não teria sido concluída.
Segundo a advogada, as famílias foram procuradas pelo Creas na segunda-feira (10), e um atendimento inicial envolvendo mães e filhas deve ocorrer antes do acompanhamento individual das adolescentes.
Questionada sobre a divergência, a prefeitura informou que tanto a transferência quanto o suporte psicológico estão sendo tratados diretamente com as famílias.
O caso mais recente teria acontecido em 3 de agosto. Segundo a defesa, uma das adolescentes permaneceu na sala durante o intervalo para fazer um lanche quando teria sido abordada pelos colegas.
A advogada relata que a jovem sofreu agressões físicas e atos de natureza sexual. Ela também teria sido ameaçada para não contar o ocorrido à família.
Após a denúncia, outra estudante decidiu relatar uma situação semelhante ocorrida cerca de um mês antes, também durante o intervalo e dentro de uma sala de aula.
As duas adolescentes registraram boletim de ocorrência e foram submetidas a exames no Instituto de Medicina Legal (IML). O Conselho Tutelar da Regional 1 também acompanha o caso.
A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania do Cabo de Santo Agostinho, vinculada ao MPPE, informou que acompanha as apurações e os acionamentos da rede de proteção.
Como todos os envolvidos são menores de idade, suas identidades são preservadas conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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