Investigação revelou uma estrutura dividida entre financiadores, supervisores, divulgadores e cobradores responsáveis por intimidar comerciantes.
19 de agosto de 2026 às 09:33 - Atualizado às 10:09
Foram apreendidos nove motocicletas, celulares, dinheiro e mais de dez capacetes. Foto: Divulgação/PCPE
Uma investigação iniciada após denúncias de comerciantes levou à prisão de 14 pessoas suspeitas de integrar uma rede de agiotagem na Região Metropolitana do Recife. As detenções ocorreram ao longo de um mês e foram detalhadas pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) na terça-feira, 18 de agosto.
O grupo atuava principalmente em localidades do Litoral Sul, como Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho; Nossa Senhora do Ó, em Ipojuca; e Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes.
As apurações começaram em maio, quando comerciantes procuraram a polícia para relatar a oferta de empréstimos de fácil contratação, mas com juros elevados e cobrança diária.
Colombianos e venezuelanos recém-chegados ao Brasil eram recrutados com promessas de trabalho, moradia, transporte e telefone. Conforme a investigação, eles atuavam principalmente na distribuição de cartões de divulgação e na cobrança dos valores.
Depois da liberação do dinheiro, os devedores passavam a receber visitas frequentes. Segundo a Polícia Civil, os responsáveis pelas cobranças utilizavam máscaras e recorriam a mensagens, telefonemas e abordagens presenciais para constranger as vítimas.
Fotos de lojas, residências e familiares também eram enviadas como forma de demonstrar que os comerciantes estavam sendo monitorados. Quando não recebiam o valor exigido, os suspeitos chegavam a consumir ou retirar mercadorias dos estabelecimentos.
A investigação identificou ainda casos em que o pagamento havia sido realizado, mas os cobradores alegavam falta de comprovante e mantinham a dívida ativa.
De acordo com o delegado Altemar Mamede, responsável pela Delegacia Seccional do Cabo de Santo Agostinho, o grupo possuía uma estrutura organizada.
No topo estariam os financiadores, responsáveis por fornecer o dinheiro usado nos empréstimos. Em seguida, os supervisores distribuíam os recursos e coordenavam panfleteiros, captadores e cobradores. A ala encarregada das cobranças entrava em ação quando havia atraso no pagamento do capital ou dos juros.
A polícia pretende avançar na análise das movimentações financeiras para identificar os líderes e os responsáveis por bancar o esquema.
As 14 prisões ocorreram no Cabo de Santo Agostinho. Depois das audiências de custódia, seis investigados permaneceram detidos, entre eles uma mulher que teve a prisão convertida em domiciliar.
Os demais passaram a responder em liberdade, submetidos a medidas cautelares. Algumas dessas pessoas deverão utilizar tornozeleira eletrônica.
Durante as ações, foram apreendidos nove motocicletas, celulares, dinheiro, mais de dez capacetes e milhares de cartões utilizados para divulgar os empréstimos. Segundo a polícia, os responsáveis pelo esquema também forneciam veículos, combustível e outros recursos necessários às cobranças.
As investigações continuam para localizar os financiadores e identificar outras pessoas que possam ter participado da organização.
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