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No Rio de Janeiro, operação da polícia civil investiga esquema de falso banco ligado a igreja

Batizada de 'Operação Golpe de Fé', os responsáveis utilizavam a influência de um líder religioso para atrair fiéis interessados em investimentos

Romildo Lacerda

18 de agosto de 2026 às 13:44   - Atualizado às 14:11

Polícia Civil do Rio realiza operação contra suposto grupo criminoso que atua em golpes

Polícia Civil do Rio realiza operação contra suposto grupo criminoso que atua em golpes Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou, nesta terça-feira, 18 de agosto, uma operação para desarticular um grupo suspeito de aplicar golpes financeiros e utilizar empresas para ocultar e movimentar recursos obtidos de vítimas.

Batizada de 'Operação Golpe de Fé', a investigação mira um esquema que teria como fachada um suposto banco digital relacionado a uma igreja evangélica.

De acordo com as apurações, os responsáveis utilizavam a influência de um líder religioso para atrair fiéis interessados em investimentos.

As vítimas eram convencidas a aplicar dinheiro sob a promessa de retornos que poderiam chegar a 10% ao mês. Com o passar do tempo, porém, os pagamentos deixaram de ser realizados, gerando um prejuízo estimado em R$ 1,11 milhão.

Mandados em cinco cidades

As equipes policiais cumprem mandados de busca e apreensão em imóveis localizados no Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias, além de endereços no estado de São Paulo.

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A ação busca reunir documentos, equipamentos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a estrutura financeira do grupo criminoso.

Segundo a investigação, depois de receber os aportes dos investidores, os responsáveis começaram a apresentar explicações para justificar os atrasos nos pagamentos. As devoluções, entretanto, foram posteriormente interrompidas.

Até agora, sete registros de ocorrência foram associados ao esquema.

A polícia acredita que a organização possuía uma divisão de tarefas, com integrantes responsáveis por conquistar novos clientes, administrar os valores recebidos e executar as movimentações financeiras.

Empresa tinha capital de R$ 5 milhões

Um dos pontos que despertaram a atenção dos investigadores foi a estrutura societária da empresa apontada como responsável pela operação do suposto banco digital. O negócio apresentava capital social declarado de R$ 5 milhões.

Apesar disso, a investigação identificou sócios cuja capacidade financeira, segundo a polícia, não seria compatível com o patrimônio e os valores movimentados pela empresa.

A discrepância levantou a hipótese de que algumas pessoas tenham sido utilizadas como interpostas pessoas, com o objetivo de dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pela administração do negócio.

Os investigadores também rastrearam transferências para contas particulares do principal alvo da operação e para empresas relacionadas a ele. Entre os empreendimentos estão negócios ligados aos segmentos de construção civil, laboratório, consultoria contábil e serviços de pagamento.

Movimentação milionária chamou atenção

Durante a análise das transações, a polícia encontrou ainda uma conta que teria funcionado como um ponto de passagem para parte dos recursos movimentados pelo grupo.

Somente nesse endereço financeiro, foram identificados mais de R$ 5,4 milhões em operações classificadas como estornos.

A movimentação é considerada relevante para o avanço da investigação, que tenta determinar a origem e o destino dos valores, além de verificar se os recursos provenientes das vítimas foram misturados ao patrimônio de empresas e pessoas ligadas aos investigados.

Familiares também são investigados

As diligências alcançaram ainda pessoas próximas ao principal investigado. A mulher e o filho dele aparecem formalmente como sócios de empresas que, conforme os investigadores, podem ter sido utilizadas para movimentar recursos e realizar retiradas de grandes quantias em dinheiro vivo.

A participação dos familiares ainda é objeto de apuração. A polícia busca esclarecer se eles tinham conhecimento da origem dos valores e qual teria sido o papel de cada um na estrutura empresarial investigada.

As equipes continuam analisando documentos e dados financeiros para identificar outros possíveis integrantes do grupo, compreender o caminho percorrido pelo dinheiro e localizar patrimônio que possa ter sido adquirido ou movimentado com recursos provenientes dos supostos golpes.

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