De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a vítima chegou à residência da família em 1971, quando tinha apenas sete anos.
07 de julho de 2026 às 16:41 - Atualizado às 17:22
Idosa é resgatada em prédio de luxo após 55 anos de trabalho análogo à escravidão em Eusébio (CE) Foto: MTE/Arquivo
Uma operação conjunta realizada por órgãos federais retirou uma mulher de 62 anos de uma rotina de exploração que, segundo as investigações, começou ainda na infância.
O resgate aconteceu em um condomínio de alto padrão localizado em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, onde ela teria permanecido por 55 anos submetida a condições análogas à escravidão.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a vítima chegou à residência da família em 1971, quando tinha apenas sete anos.
Na época, passou a desempenhar tarefas domésticas ao lado de uma irmã. Após a morte da mãe, permaneceu vivendo com os empregadores e, conforme relatos colhidos durante a fiscalização, teria sido entregue pela própria família a uma das filhas da antiga patroa.

Ao longo das décadas, ela acompanhou todas as mudanças da família e permaneceu prestando serviços sem interrupção.
As investigações apontam que a mulher foi transferida entre diferentes integrantes do mesmo núcleo familiar conforme eles constituíam novos lares.
Em 1982, passou a morar com a filha da primeira empregadora, onde assumiu os cuidados da casa e ajudou na criação dos três filhos do casal.
Mais de 30 anos depois, em 2014, foi novamente levada para outra residência pertencente à mesma família. Nesse novo endereço, além das atividades domésticas, ficou responsável por cuidar dos netos dos antigos patrões.
Segundo os auditores fiscais, a exploração ocorreu durante três gerações da mesma família, sempre sem remuneração adequada e sem autonomia.
O relatório elaborado pelo Ministério do Trabalho descreve uma realidade marcada por dependência econômica, ausência de escolarização e privação de direitos básicos.
Durante toda a vida, a mulher permaneceu analfabeta e nunca recebeu salário regular pelo trabalho realizado. Enquanto os empregadores estudavam, construíam patrimônio e seguiam carreira profissional, ela permaneceu exclusivamente dedicada às tarefas da residência.
Os fiscais também constataram que a idosa era beneficiária do Bolsa Família, recebendo R$ 600 mensais. No entanto, o saque do benefício era feito com participação da empregadora, que posteriormente entregava o dinheiro à trabalhadora.
Mesmo enfrentando problemas de saúde, incluindo hipertensão e episódios frequentes de mal-estar, a mulher seguia desempenhando todas as funções da casa.
No momento da fiscalização, ela era responsável pela limpeza do imóvel, preparo das refeições e pelos cuidados diários de duas crianças, de sete e 11 anos.
Segundo o MTE, a jornada começava por volta das 4h30 da manhã, quando preparava o café da família e organizava a rotina das crianças antes da escola. As demais atividades se estendiam ao longo de todo o dia.
Com base no tempo de serviço e nos direitos que nunca foram pagos, a Auditoria-Fiscal do Trabalho calcula que a trabalhadora tenha créditos superiores a R$ 1,5 milhão.
A estimativa considera salários não recebidos, férias, 13º salário, depósitos de FGTS, verbas rescisórias e horas extras decorrentes da ausência de descanso semanal.
Durante a atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT), foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com os empregadores.
Entre as medidas previstas estão:
O Ministério Público ressalta que o acordo não encerra todas as obrigações dos empregadores. A trabalhadora ainda poderá buscar judicialmente outros direitos e indenizações.
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Apesar da condenação, a pena foi reduzida em razão da confissão espontânea do acusado. O crime foi na véspera do Natal de 2022 e chocou o estado.
Além da presença das equipes em solo, a Operação conta com uma equipe preparada para o emprego de drones, utilizados para otimizar a visualização das áreas de grande circulação que abrigam as missas.
Após a confirmação preliminar da substância, a mulher foi conduzida à Superintendência Regional da Polícia Federal em Pernambuco, onde foi autuada em flagrante.
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