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"A polícia paga merreca": investigador acusado de chefiar revenda de drogas recebeu R$ 4 milhões

Gravações de áudio mostram policiais tratando a venda de entorpecentes como negócio e falando abertamente sobre dinheiro, apreensões desviadas e proteção a criminosos.

08 de junho de 2026 às 15:33   - Atualizado às 16:01

Everton Aires, conhecido como Bomba.

Everton Aires, conhecido como Bomba. Foto: Reprodução/TV Globo

A prisão de um delegado e dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba (PCPB) expôs um esquema que, segundo a investigação, ia muito além da simples omissão no combate ao tráfico.

Gravações obtidas pelo programa Fantástico mostram policiais tratando a venda de drogas como negócio e falando abertamente sobre dinheiro, apreensões desviadas e proteção a criminosos.

Entre os investigados está o investigador Everton Aires, conhecido como Bomba. Em um dos áudios, ele afirma que a dinâmica do grupo era baseada em lucro.

Em outro momento, compara a revenda de entorpecentes a qualquer atividade comercial, como se o crime fosse apenas mais uma operação de mercado.

A investigação aponta que, em cinco anos, ele teria movimentado mais de R$ 4 milhões em contas bancárias, valor muito acima do salário de policial, estimado em cerca de R$ 8,5 mil.

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Apreensões que não chegavam ao destino oficial

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, parte das drogas apreendidas em operações não seguia o destino legal esperado. Em vez de serem totalmente encaminhados para os procedimentos oficiais, os entorpecentes teriam sido repassados a outros traficantes.

A apuração também indica que o grupo avisava criminosos sobre ações policiais com antecedência, o que facilitava fugas e escondia foragidos.

Outro nome citado é o de José Alexandrino Júnior Lira, o Júnior Lira, suspeito de ligação com o chamado Novo Cangaço. De acordo com a investigação, ele teria contado com apoio de policiais para manter negócios ilícitos e expandir a atuação para outras cidades.

Prisão e reação das defesas

A operação realizada na terça-feira (2) pelo Gaeco e pela Polícia Civil levou à prisão de nove pessoas, entre elas Bomba, o investigador Eduardo Jorge, conhecido como Mão Branca, e o delegado Braz Morroni. As defesas negam irregularidades e afirmam que os acusados vão contestar as provas apresentadas.

Para o Ministério Público, o caso mostra o uso da estrutura do Estado por agentes que deveriam justamente combater o crime. Agora, a investigação tenta detalhar a extensão da rede e identificar todos os envolvidos na movimentação de drogas e na proteção a suspeitos.

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