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Denúncia de traficante levou à prisão de delegado e policiais na Paraíba, revela polícia

Segundo investigadores, a partir dessa informação inicial, equipes especializadas passaram a monitorar a atuação dos suspeitos e reuniram provas ao longo de cerca de 15 meses.

02 de junho de 2026 às 17:20   - Atualizado às 17:33

Um delegado e dois policiais civis foram presos nesta terça (2).

Um delegado e dois policiais civis foram presos nesta terça (2). Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Uma denúncia feita por um integrante de organização criminosa foi o ponto de partida para uma investigação que terminou com a prisão de um delegado e dois agentes da Polícia Civil da Paraíba (PCPB).

A informação foi divulgada nesta terça-feira, 2 de junho, durante coletiva sobre a Operação Perfídia, deflagrada em João Pessoa.

Segundo os investigadores, o caso começou a ser apurado em fevereiro de 2025 após um traficante relatar que entorpecentes armazenados por seu grupo haviam sido retirados por policiais.

A partir dessa informação inicial, equipes especializadas passaram a monitorar a atuação dos suspeitos e reuniram provas ao longo de cerca de 15 meses.

Múltiplos crimes

De acordo com a Polícia Civil, as diligências revelaram a existência de um esquema que misturava tráfico de drogas, corrupção e uso indevido de informações sigilosas.

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A investigação aponta que agentes públicos teriam utilizado recursos e estruturas do Estado para beneficiar atividades criminosas.

Entre os presos está o delegado Braz Morroni, titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Também foram detidos os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado", e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, apelidado de "Mão Branca".

Parceria com traficantes

Segundo a apuração, o grupo atuava em parceria com traficantes ligados à mesma organização criminosa. O esquema funcionaria da seguinte forma: integrantes do tráfico informavam onde drogas pertencentes a grupos rivais estavam escondidas.

Em seguida, policiais envolvidos realizavam a apreensão do material, mas parte dos entorpecentes não seguia para os procedimentos legais. As drogas seriam desviadas e repassadas novamente ao mercado ilegal por meio de criminosos de confiança.

Os investigadores também afirmam ter encontrado indícios de que entorpecentes armazenados pela própria polícia para posterior destruição teriam sido retirados antes do processo de incineração.

Funções definidas

As investigações apontam ainda que cada integrante possuía uma função específica dentro da estrutura. Um dos agentes seria responsável pela articulação entre traficantes e policiais, enquanto outro teria atuado diretamente no monitoramento de carregamentos, ocultação de drogas e logística do esquema.

Já o delegado é suspeito de ter se beneficiado financeiramente da atividade criminosa e de utilizar sua posição para dar suporte aos envolvidos.

Além das nove prisões decretadas pela Justiça, a operação cumpriu 24 mandados de busca e apreensão. Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em contas e bens ligados aos investigados.

Curiosamente, o traficante que apresentou a denúncia que deu origem às investigações também foi alvo da operação e acabou preso durante o cumprimento dos mandados.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis participantes e dimensionar a extensão do esquema criminoso.

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