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Representatividade: conheça Stella, a primeira mulher trans da Polícia Militar de Pernambuco

Aos 20 anos, Stella deu início ao tratamento hormonal e, com o processo, finalmente se encontrou com sua própria imagem.

Cami Cardoso

30 de agosto de 2025 às 12:07   - Atualizado às 15:41

Representatividade: conheça Stella, a primeira mulher trans da Polícia Militar de Pernambuco

Representatividade: conheça Stella, a primeira mulher trans da Polícia Militar de Pernambuco Foto: Marina Torres/DP Foto

Stella Thainá da Silva, de 27 anos, se tornou a primeira mulher trans com identidade de gênero reconhecida a ocupar a função de policial militar no estado de Pernambuco. Ela faz parte dos 2.299  policiais que se formaram neste mês de agosto.

Segundo informações do Diário de Pernambuco, Stella não teve uma trajetória fácil. Filha da empregada doméstica Ieda da Silva, não pôde contar com o suporte de seu pai biológico, que abandonou a família quando ela tinha apenas 1 ano. No entanto, esse espaço foi ocupado por Gabriel da Silva, que assumiu o papel de figura paterna quando Stella tinha três anos. Desde a infância, ela se revezava entre brincar com o carrinho da polícia e com as roupas da mãe.

“Eu me sentia muito mal comigo mesma. Não conseguia me entender. Desde nova, eu sabia que gostava de meninos.”

Aos 13 anos, foi diagnosticada com câncer no pênis. Deprimida, buscou acompanhamento psicológico e, com a ajuda do pai, percebeu pela primeira vez que era uma mulher. “Eu sou uma mulher. E isso sempre esteve na minha cara.”

Aos 20 anos, Stella deu início ao tratamento hormonal e, com o processo, finalmente se encontrou com sua própria imagem. Ela garante: “Hoje sou a realização de um sonho pessoal. Vivo plenamente feliz comigo mesma.”

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“A mulher que me tornei vai muito além do exterior. Muitas pessoas me olham e dizem que nem pareço uma mulher trans, e falam isso como elogio. Tenho grande passabilidade, então consegui entrar em vários meios da vida social sem que as pessoas percebessem.”

A conquista de Stella é um passo importante para a comunidade trans, já que apenas em 2018 a transexualidade foi retirada da lista de doenças e distúrbios mentais da OMS, o que possibilitou mudanças nos editais do concurso da polícia. Apesar das barreiras impostas pelas normas, a policial afirma que, ao contrário do que imaginava, foi bem recebida pela instituição.

“Desde o começo eu vi que não era nada daquilo que eu pensava. O machismo e o preconceito existem, mas não são institucionais. Eu fui muito bem recebida.”

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