Prefeito do Recife, Victor Marques Foto: Divulgação/PCR
O novo prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), assume o comando da capital pernambucana enfrentando um cenário econômico de alerta. De acordo com informações do jornalista Manoel Medeiros, o sucessor de João Campos (PSB) estreia com a missão de gerir uma máquina administrativa que carrega o peso de três anos sucessivos de déficit primário, quando as despesas do município superam as receitas arrecadadas.
Para tentar estabilizar o caixa logo nos primeiros meses de gestão e garantir o fluxo de pagamentos, a prefeitura já articulou uma operação estratégica: a securitização da dívida, marcada para o dia 16 de abril. Na prática, a gestão planeja antecipar receitas de parcelas que contribuintes e empresas só pagariam entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2031.
A operação de securitização funciona como uma antecipação de ativos: o município "vende" o direito de receber esses valores futuros ao mercado financeiro para obter dinheiro imediato. Segundo apuração do Blog do Manoel Medeiros, o objetivo central é socorrer as contas públicas e regularizar o cronograma de pagamentos a fornecedores, que já enfrenta dificuldades e o acúmulo das chamadas Despesas de Exercícios Anteriores (DEAs).
Embora a medida traga fôlego momentâneo para a prefeitura em um ano eleitoral no qual João Campos tenta o retorno do PSB ao Governo do Estado, especialistas alertam que a manobra compromete o orçamento de anos futuros, consumindo antecipadamente recursos que seriam fundamentais para as próximas gestões.
Além do desafio fiscal, Victor Marques herda uma estrutura administrativa robusta e alvo de críticas pelo seu tamanho. Conforme os dados trazidos pelo jornalista Manoel Medeiros, a Prefeitura do Recife sustenta atualmente uma rede de aproximadamente 13,5 mil cargos, distribuídos entre:
Diferente dos cargos efetivos, a ampliação do quadro de terceirizados não exige a aprovação de leis específicas na Câmara Municipal, o que facilitou o inchaço da máquina nos últimos anos. Para analistas políticos, essa estrutura tem sido o instrumento central para garantir a manutenção de alianças e o fortalecimento do grupo político liderado pelo PSB.
O início da gestão de Victor Marques será um teste de equilíbrio entre a sobrevivência política e a responsabilidade fiscal. De um lado, há a necessidade de manter a máquina azeitada para as pretensões eleitorais de seu grupo político; de outro, o limite imposto por contas que operam no vermelho e dependem de operações de mercado para não paralisar serviços essenciais.
A operação de securitização no dia 16 de abril será o primeiro grande indicador de como a nova prefeitura pretende navegar em 2026. O mercado financeiro e os órgãos de controle acompanham de perto se a antecipação de receitas será suficiente para estancar a crise fiscal ou se o Recife precisará de cortes mais drásticos em sua estrutura administrativa nos próximos meses.
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