Centro do Recife Foto: Divulgação/Agência Brasil
A crise econômica segue impactando o dia a dia da população, e os dados mais recentes sobre as famílias endividadas em Recife confirmam esse cenário alarmante. Segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE), o mês de agosto fechou com 80% dos lares da capital pernambucana endividados — um total de mais de 423 mil famílias.
A principal vilã do orçamento doméstico continua sendo o cartão de crédito, presente em 91,2% das famílias endividadas em Recife. Os carnês de loja (28,3%) e o financiamento de veículos (7,1%) também aparecem como meios frequentes de endividamento. A inadimplência não para de crescer: somente em agosto, 5 mil novas famílias passaram a ter contas em atraso, elevando para 137 mil o número de lares com dívidas vencidas.
Além da dificuldade em quitar os débitos, quase um terço das famílias endividadas em Recife não consegue pagar suas contas há mais de um ano, o que revela uma situação crônica. A média de atraso nos pagamentos chega a 62 dias, enquanto 29% da renda mensal dessas famílias é comprometida com o pagamento de dívidas — um fardo que compromete a alimentação, saúde e educação.
O cenário local reflete um problema nacional. Segundo a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil, o país atingiu a maior taxa de endividamento desde 2015: 43% dos adultos estão inadimplentes. A maior parte dessas dívidas, inclusive, é formada por valores baixos — três em cada dez consumidores devem boletos de até R$ 500.
Para a aposentada Maria José da Silva, de 64 anos, moradora da Zona Norte do Recife, a situação saiu do controle. “Fui usando o cartão para remédios, supermercado e, quando vi, estava devendo mais de R$ 4 mil. Só pago o mínimo e os juros não param de crescer”, lamenta. Como ela, milhares de pessoas vivem o dilema de escolher entre pagar contas ou suprir necessidades básicas.
Especialistas em finanças apontam que a educação financeira e a renegociação de dívidas são caminhos importantes para aliviar essa carga. Mas reforçam: sem políticas públicas eficazes para conter o endividamento das famílias, o problema tende a se agravar.
A realidade das famílias endividadas em Recife é urgente e demanda atenção não apenas dos governos, mas de toda a sociedade. Afinal, mais do que números, são histórias de luta, sacrifício e resistência diante de uma economia que não tem favorecido os mais vulneráveis.
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