Ramal Camaragibe do Metrô do Recife volta a operar normalmente após pane elétrica nesta quarta (29) Foto: Reprodução / ANP Trilhos
Os usuários do metrô que tentaram utilizar o serviço logo nas primeiras horas de funcionamento desta quarta-feira, 29 de julho, encontraram as portas fechadas e enfrentaram transtornos no Ramal Camaragibe da Linha Centro do Metrô do Recife. A operação, que deveria ter iniciado às 5h, foi totalmente paralisada devido a uma pane na rede elétrica.
Conforme explicou a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) por meio de nota oficial, o transtorno ocorreu por causa de problemas de energização pela subestação Rodoviária, equipamento fundamental que alimenta todo o sistema para a circulação dos trens.
Devido à falha técnica, cinco estações precisaram suspender as atividades temporariamente: Camaragibe, Cosme e Damião, Rodoviária, Curado e Alto do Céu.
A interrupção inesperada afetou diretamente cerca de 45 mil passageiros que dependem do ramal todos os dias para realizar seus deslocamentos na Região Metropolitana. Equipes de manutenção da companhia foram acionadas para atuar com urgência nos reparos da rede afetada.
Após horas de expectativa, a situação foi controlada. Com a conclusão dos serviços técnicos e a verificação dos padrões de segurança na via, o Ramal Camaragibe teve a sua operação normalizada e as estações reabertas ao público, restabelecendo o fluxo regular de viagens ainda no final da manhã.
A operação da Linha Sul do Metrô do Recife pode ser interrompida a partir de 2027 caso não haja reforço imediato na frota de trens. O alerta foi feito pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que aponta risco de paralisação parcial do sistema, especialmente no trecho que liga a Zona Sul da Região Metropolitana ao Centro da capital pernambucana.
Segundo a companhia, a única alternativa no curto prazo é a chegada de trens usados vindos de outros estados, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. As composições, que não possuem ar-condicionado, ainda dependem de questões logísticas para serem transferidas ao Recife. A previsão inicial já sofreu três adiamentos, e agora a expectativa é que os primeiros veículos cheguem entre o fim de abril e meados de maio.
De acordo com o gerente de operações da CBTU Recife, José Innocêncio, o sistema atual não suporta mais a demanda sem a entrada dessas unidades. Ele afirma que, sem o reforço, a Linha Sul pode deixar de operar ou funcionar de forma extremamente limitada entre março e abril de 2027.
A utilização de trens seminovos é tratada como uma medida emergencial. A produção e entrega de novos veículos levariam entre dois e três anos, prazo considerado incompatível com a situação atual da rede. “Foi a alternativa encontrada para manter o funcionamento mínimo do sistema”, afirmou o gestor.
Apesar das críticas em relação à ausência de ar-condicionado, a CBTU argumenta que a prioridade, neste momento, é garantir a continuidade do serviço. Os trens que serão enviados contam com sistema de ventilação, com saídas de ar e janelas que permitem circulação constante, como forma de amenizar o calor na Região Metropolitana do Recife.
A necessidade de soluções emergenciais reflete o cenário de redução de investimentos no sistema ao longo dos últimos anos. Segundo a companhia, o metrô opera há cerca de uma década com orçamento inferior ao necessário para custeio e manutenção, além de utilizar equipamentos antigos, alguns em operação desde a década de 1980.
O envio dos trens depende de etapas paralelas em outros estados. Em Minas Gerais, a liberação das composições está condicionada à chegada de novos veículos adquiridos para o sistema local. Já no Rio Grande do Sul, o repasse das unidades depende de recursos federais para viabilizar a transferência.
A estratégia faz parte de uma fase de transição até a implementação de uma Parceria Público-Privada (PPP), que prevê a concessão do sistema metroviário. O leilão está previsto para dezembro de 2026. O projeto inclui investimentos estimados em R$ 4 bilhões e a aquisição de novos trens com ar-condicionado, mas a entrega completa da frota pode levar até cinco anos após a assinatura do contrato.
Até lá, a manutenção da operação depende diretamente da chegada das composições usadas. Sem esse reforço, a CBTU não descarta a interrupção de trechos do sistema, com impacto direto na mobilidade urbana da capital pernambucana e da região metropolitana.
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