Procedimento resultou na retirada de fígado, dois rins e duas córneas; quase 4 mil pessoas aguardam transplantes em Pernambuco
30 de outubro de 2026 às 08:56 - Atualizado às 09:03
Hospital Dom Helder Câmara realiza primeira captação múltipla de órgãos de 2026. Foto: Divulgação
O Hospital Dom Helder Câmara (HDH), localizado no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, realizou, na manhã desta quinta-feira, 29 de outubro, a primeira captação múltipla de órgãos de 2026 na unidade. O procedimento ocorreu após a confirmação da morte encefálica de uma paciente, na quarta-feira, 28 de outubro, e a autorização da família para a doação.
Foram captados um fígado, dois rins e duas córneas. A equipe da Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE) esteve no hospital para conduzir o procedimento e coordenar a distribuição dos órgãos e tecidos, conforme os critérios estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes.
A decisão dos familiares foi tomada em meio ao luto e pode beneficiar pacientes que aguardam por um transplante. Segundo a enfermeira Cláudia Barros, responsável pela Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (E-DOT) do hospital, a equipe médica prestou assistência à paciente desde a chegada à unidade.
“Essa paciente chegou ao hospital em estado grave, e toda a equipe médica se empenhou para oferecer a assistência necessária. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Mesmo diante de toda a tristeza pela perda, a família compreendeu a importância da doação e disse sim. Esse gesto vai possibilitar que outras pessoas tenham uma nova oportunidade de vida. São várias histórias que poderão ser transformadas por causa dessa decisão”, afirmou.
A captação ocorre em um cenário de demanda por transplantes no estado. De acordo com dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, 3.985 pessoas aguardavam por um órgão ou tecido em Pernambuco, conforme levantamento publicado em outubro de 2026.
Entre janeiro e agosto deste ano, foram realizados 1.379 transplantes no estado, contra 1.276 no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 8,1%. Entre os procedimentos destacados no levantamento, o maior crescimento foi registrado nos transplantes de córnea: foram 746 nos oito primeiros meses de 2026, ante 614 no mesmo intervalo do ano anterior, uma alta de 21,5%.
No período, Pernambuco também realizou 304 transplantes de rim, 74 de fígado e 17 de coração, além de procedimentos de medula óssea e outros tipos de transplante.
No Hospital Dom Helder Câmara, o número de captações de córneas também cresceu. A unidade contabiliza 24 procedimentos em 2026, frente a 18 registrados em 2025, um aumento de 33,3%.
Embora o hospital não tenha como perfil principal a assistência a pacientes neurológicos, a equipe participa dos processos de doação quando são identificadas condições clínicas para a captação de órgãos e tecidos. O trabalho inclui a identificação de potenciais doadores, o acolhimento dos familiares e a articulação com a Central de Transplantes.
“Cada doação é muito significativa para a nossa equipe. A captação múltipla é uma oportunidade de ampliar o alcance desse gesto de solidariedade. Mesmo quando não existe possibilidade de doar múltiplos órgãos, a avaliação para doação de tecidos, como as córneas, também é importante. Nosso trabalho é acolher as famílias, esclarecer dúvidas e conduzir todo o processo com respeito e responsabilidade”, ressaltou Cláudia Barros.
Uma única doação de órgãos pode salvar até oito vidas, a depender dos órgãos disponíveis e das condições clínicas dos possíveis receptores. A doação de tecidos, como as córneas, também pode beneficiar pessoas que aguardam por transplantes e contribuir para a recuperação da visão.
A morte encefálica é confirmada por meio de protocolos médicos específicos. Depois da conclusão do diagnóstico, a equipe responsável conversa com os familiares, esclarece dúvidas e solicita autorização para a doação. No Brasil, a autorização da família é indispensável para a retirada de órgãos e tecidos após a morte.
Por isso, manifestar em vida o desejo de ser doador e conversar com os familiares são medidas importantes. A decisão da família é necessária mesmo quando a pessoa já havia expressado essa vontade anteriormente.
A captação realizada no Hospital Dom Helder Câmara evidencia a atuação conjunta entre equipes de saúde, Central de Transplantes e familiares. Em meio à perda, a autorização para doar pode representar novas possibilidades para quem espera por um transplante.
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