Com atrações de Portugal, França e Brasil, evento reúne circo contemporâneo, realidade virtual, artes visuais e literatura até 8 de novembro
30 de outubro de 2026 às 08:36 - Atualizado às 08:42
Festival de Circo do Brasil inicia 20ª edição nesta sexta (30), no Recife. Foto: Ulli Raab
O Festival de Circo do Brasil começa sua 20ª edição nesta sexta-feira, 30 de outubro, a partir das 17h30, no Paço do Frevo, no Bairro do Recife. Com o tema “Rebuliço”, a abertura reúne artistas de Portugal, França e Brasil em uma programação que mistura acrobacia, palhaçaria, tecnologia, artes visuais e literatura. O evento segue até 8 de novembro, com atividades no Recife, na Região Metropolitana e em Caruaru.
A noite de estreia conta com espetáculos internacionais, performance, experiência imersiva em realidade virtual e lançamento de livro. A proposta é apresentar diferentes possibilidades do circo contemporâneo, aproximando linguagens artísticas e convidando o público a experimentar novas formas de expressão.
Entre as atrações da abertura está Isla of Flightless Birds, da companhia portuguesa Através. Na apresentação, dois intérpretes constroem um mastro chinês autoportante por meio de movimentos que exigem equilíbrio, confiança e colaboração. A estrutura é erguida e desmontada ao longo do espetáculo, em uma reflexão sobre convivência e fragilidade dos vínculos humanos.
A programação começa com a performance Frevo Rebuliço, da multiartista pernambucana Beatriz Nascimento. Já o encerramento fica por conta da francesa Barbara Probst, que apresenta Bath-Flop. A montagem combina palhaçaria, acrobacia e humor físico a partir de uma demonstração de banheira de luxo que se transforma em uma sequência de situações absurdas, com escorregões e acidentes coreografados. O espetáculo propõe uma crítica bem-humorada à publicidade e ao consumo excessivo.
Outro destaque é a estreia de Hold On, experiência imersiva em realidade virtual criada pela companhia francesa Cie Fheel Concepts. Com direção de Corinne Linder e colaboração de Amaury La Burthe, da Novelab/AudioGaming, a obra coloca o espectador na perspectiva de um artista aéreo e explora sensações como medo, vertigem e adrenalina.
A experiência tem duração de 30 minutos, classificação indicativa a partir de 10 anos e ficará disponível até 3 de novembro, em horários específicos. A iniciativa conta com apoio do Consulado da França no Recife e do Institut Français.
O primeiro dia também terá o lançamento do livro Somos Todos Rios – Uma Vida de Circo do Asfalto, escrito por Raquel Lima, Fran Marinho e Douglas Marinho. A publicação reúne histórias de mais de duas décadas da companhia paraibana Circo do Asfalto, com relatos sobre viagens, bastidores e apresentações em espaços públicos. A obra contribui para preservar a memória do circo contemporâneo brasileiro.
Para a diretora e curadora do Festival, Dani Hoover, a diversidade de atrações representa a proposta da edição comemorativa.
“Queremos que a abertura traduza a essência do Festival: um espaço onde diferentes linguagens se encontram e provocam novas experiências. O circo contemporâneo está em constante transformação, e o Rebuliço celebra justamente essa liberdade de experimentar, questionar e surpreender o público”, destaca.
Além das apresentações, o Paço do Frevo recebe a exposição de artes visuais REBULIÇO, organizada pela Casa do Cachorro Preto, de Pernambuco, com curadoria de Raoni Assis e Sheila Oliveira. A mostra reúne trabalhos de 17 artistas pernambucanos em desenhos, pinturas e esculturas inspirados no imaginário circense.
As obras exploram temas como equilíbrio, risco, humor e fantasia. A exposição permanece em cartaz até 29 de novembro.
Participam da mostra Awa’rá Ira Miranda, Ayodê França, BaRBa, Beto França, Bia Melo, Carolina Noêmia, Dell, Demetrio Albuquerque, Duffi, Lorde Jimmy, Nathalia Queiroz, Nomes, Raoni Assis, Rodolfo Tavares, Rômulo Barros, Sil Karla e Valéria Rey Soto.
Criado em 2004 pela Luni Produções, o Festival de Circo do Brasil se consolidou como uma plataforma de circulação e intercâmbio do circo contemporâneo na América Latina. Ao longo de 19 edições, realizou mais de 700 apresentações, reuniu 360 atrações, alcançou cerca de um milhão de pessoas e ocupou mais de 230 espaços culturais.
Em 2025, o evento realizou sua primeira edição internacional, em Toulouse, na França, como parte do calendário do Ano Brasil-França. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a La Grainerie – Fabrique des Arts du Cirque et de l’Itinérance.
Para 2026, a organização também renovou pelo segundo ano consecutivo a parceria com o Programa Iberescena. A edição comemorativa prevê ações formativas, encontros profissionais e atividades gratuitas, com o objetivo de ampliar o acesso à cultura e fortalecer a produção circense.
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